AGRADECIMENTOS

Eu nunca coloco uma página de agradecimentos em meus livros (agora posso dizer meus, pois já são dois e logo mais vem outro). Não porque não tenha a quem agradecer. De maneira alguma. Longe disso! É só que eu realmente prefiro fazer os agradecimentos depois, porque não é somente antes, ou durante a produção do livro, que temos pessoas nos ajudando. O depois, com ele pronto, a parte da divulgação, o dia do lançamento, as pessoas que ajudam o autor comprando o livro. Tudo isso é MUITO importante.

Por isso gosto de fazer esses agradecimentos depois. E ai agradeço a todo mundo =) Mas vamos começar né! Só aviso ao leitor que esses não são agradecimentos formais até porque acho que nem sei fazer isso xD

A minha mãe que me inspira nas palavras e está sempre do meu lado quando eu preciso dela. Obrigada por existir e me fazer existir!

A Victor, meu amor, que me apoia demais no que eu amo fazer e não se importa de me dividir com minhas criaturas mágicas quando preciso escrever. Você é o meu melhor conto de fadas. E sim, meu amor, é estranho o namorado de uma escritora não gostar de ler, mas você está perdoado por isso. E quando sair filmes baseados nos meus livros você saberá como terminam as histórias xD

A meu pai, que compartilhou TODAS as minhas atualizações no Facebook relacionadas ao meu livro. MUITO obrigada!

A minha tia Giovanna, que é comprovadamente pelo INMETRO a tia mais babona de todas, obrigada por toda a divulgação de cada passo que eu dou em todas as redes sociais e ajuda em todos os momentos que preciso, não só os relacionados ao livro.

A meu primo Ícaro, que tá se revelando um fotógrafo de mão cheia (ou de lente cheia, sei lá!), obrigada por toda a ajuda. E obrigada por aquele ensaio MÁGICO! Tenho certeza que fomos ao Mundo Mágico naquele dia que acordei e não estava chovendo (quase que por milagre, pois choveu três sábados seguidos), te mandei WA e fomos assim... do nada. E o ensaio ficou INCRÍVEL!

A Luisa Melo, que fez a ilustração da capa mais linda do mundo e captou, de primeira, o olhar de Aurora. Sério! Foi tipo: "Carol, olha esse esboço pra ver se é assim mais ou menos que você quer". E quando eu olhei, vi minha protagonista me olhando de volta, com aquele olhar meigo da Aurora que meus leitores irão conhecer. Você é FODA!

A Maria Clara, ops... minha fada Ellyllon xD que estava linda demais no lançamento do livro. Obrigada pela divulgação master nas redes sociais e por topar qualquer parada. Até vir ao Mundo dos Humanos só pra prestigiar o lançamento do meu livro xD

A minha madrinha Nalva, pelo apoio, pela divulgação nas redes sociais, pela ajuda na organização dos eventos em Angicos e por ser minha madrinha. Como algumas pessoas sabem (outras vão saber agora), eu não sou católica, mas agradeço por ter sido batizada nessa Fé, pois assim posso ter você como madrinha. E isso é algo que prezo demais.

A toda a minha família (sim gente, vocês sabem que eu amo cada um de vocês, mas não dá pra listar TODO mundo. Me perdoem!). Me orgulho dia após dia por fazer parte da minha família. Agradeço também a família do meu namorado, que já considero como minha também (posso?). Obrigada pelo apoio de vocês.

A meus cachorros (minha tia diz que são dela, não vamos criar confusão. Hoje temos vários tipos de famílias no mundo. Eles podem ser meus e dela também xD), que me fazem sorrir todo dia quando chegam felizes com seus rabinhos balançando. AMO vocês meus bebês!

A Dak, minha terapeuta e orientadora (Sim, psicólogo também faz terapia!). Não sei se já te disse isso. Acho que não. Mas depois de você comecei a escrever bem melhor. Os motivos a gente leva pra terapia =)

A Eliade Pimentel pela assessoria amiga. Pelo lado profissional e pessoal. AMEI te conhecer e espero demais que novos trabalhos surjam em nosso caminho. Espero que a Alice tenha gostado do Mundo Mágico. Ainda quero muito conhecê-la e também o País das Maravilhas.

A Yuno Silva e toda a equipe do jornal Tribuna do Norte pela atenção e ótima entrevista.

A Conrado Carlos e toda a equipe do Jornal de Hoje pelo carinho e maravilhosa matéria.

A Priscilla de Sousa, Luís Henrique e toda a equipe do programa Tudo de Bom e da TV Ponta Negra pela atenção e simpatia.

A Thiago Gonzaga, leitor fiel, pessoa maravilhosa, sempre empenhado em destacar o que temos de bom na literatura em nosso estado. Gosto muito do seu trabalho e fico muito feliz que goste do meu.

A todas as minhas amigas blogueiras potiguares, que me apoiaram demais durante essa jornada, divulgaram o lançamento, curtiram as fotos, compartilharam tudo. Muito obrigada. Agradeço em especial a Natália Egito, Patrícia Diógenes, Renata Filgueira, Camila Peralba e Rafaela Costa, que compareceram ontem no lançamento. As que não compareceram, to de mal xD Mentira! Eu sei que vocês queriam muito ter ido, gente, vi todas se articulando pelo WA pra irem e também sei que imprevistos acontecem. Outros lançamentos virão! E vamos TODAS nos ver no próximo Encontro com Fátima Bernardes de Blogueiras Potiguares.

A todos os blogs parceiros, que estão divulgando meu livro por esse Brasil. Obrigada: Palavras Perdidas, 2 Mentes Literárias, Quotes e Livros, Papo de Mulher, Maquiagem na Gaveta e Call Me Candy.

A Irmão Jefferson pela SUPER divulgação, pelo carinho e por suas palavras. Estão muito bem guardadas no meu coração.

A meus leitores Beta, que são sempre tão atenciosos, me dão ótimas sugestões, dicas, falam quando algo tá ruim, dizem se tá precisando mudar ou retirar alguma parte que não tá caminhando bem na história. Sou muito grata a vocês. Obrigada Lili, Maria Clara, Heitor e João. E já aproveito pra agradecer a minha futura leitora Beta: Mari Carvalho.

A Aluísio Azevedo, Kátia Azevedo, Barros Buffet e toda a equipe da Livraria Nobel Salgado Filho pelo lançamento MARAVILHOSO. Muito obrigada pelo carinho e atenção de vocês. Foi tudo lindo! E parabéns pelo ótimo trabalho que vocês realizam pelos escritores do nosso estado.

A todos os meus amigos que puderam comparecer ao lançamento do meu livro A FILHA DE GAIA. E aos que não puderam também. Obrigada aos que curtiram, compartilharam, torceram. Enfim, de algum modo participaram desse momento tão importante na minha vida.

A Editora Ideia e ao editor Magno Nicolau, pela atenção dedicada a mim e ao meu livro e pelo ótimo trabalho de edição.

A Socorro e toda a equipe do Vitta Spa Day por todo o cuidado que recebi. Deu pra relaxar bastante. Na hora do lançamento acho que o nervosismo já tinha diminuído xD

A Débora Paiva pela atenção e carinho. E pelo trabalho MARAVILHOSO. Você realmente fez um tipo de mágica que não compreendo! AMEI o resultado da maquiagem. AMEI minha fada, como se ela tivesse saído mesmo do Mundo Mágico.

A Carolina Munhóz e Raphael Draccon pela inspiração que vocês dois são na minha vida, como pessoas, como profissionais, como seres mágicos xD (Sim, eu sou babona mesmo. Me deixa!) ADORO o que vocês estão fazendo no cenário na literatura nacional, vocês comandam uma verdadeira revolução! Espero um dia poder fazer parte disso. E espero que eu esteja no caminho certo =)

A J. K. Rowling e Harry Potter por simplesmente TUDO. Por eu hoje ser escritora, por eu ter aprendido a gostar de ler, por me fazer sonhar, por tudo o que eu aprendi.

A todos os habitantes do Mundo Mágico, vocês tem uma importância imensa na minha vida. Sem vocês meu mundo não teria magia, meus contos de fadas seriam apenas contos.

A FILHA DE GAIA NA TRIBUNA DO NORTE

Matéria de Yuno Silva

FANTASIA EM TONS ECOLÓGICOS

Com uma queda pela literatura sobrenatural jovem, realçada em seu primeiro livro de contos, escritora Carol Vasconcelos estreia no romance com "A Filha de Gaia".

Foto por Magnus Nascimento

Saiu uma matéria super bacana sobre meu novo livro no jornal local (RN) Tribuna do Norte.

Pra quem é do estado, corre lá na banca. Já se você é de fora clica aqui para acessar a matéria.

A Ilha da Caveira - Capítulo Primeiro: O Dragão




Em marcha, cinquenta homens do reino de Além-mar seguiam enfileirados pelo vilarejo, rumo à costa. Levavam consigo pesadas espadas de lâminas reluzentes e afiadas, apoiadas nos seus ombros direitos. Por onde passavam eram aplaudidos pelas suas famílias e amigos. E por garotos que sonhavam em, um dia, fazer parte do Exército Real. Mas o que essas pessoas não sabiam era que aqueles homens que viam não eram soldados e sim camponeses, como eles. Aqueles homens faziam parte de um plano terrível e estavam ali caminhando para a morte.
O homem que arquitetara o plano chamava-se Lucius. Ele era o chefe do Exército Real e o braço direito do Rei Camillo, mas sua sede de poder era tanta que ele não queria apenas ser um Duque, pois é o que era. Ele queria mais. Queria se apossar do Reino de Camillo. Uma noite ele descobriu que a princesa Rachel se encontrava às escondidas com um jovem camponês que trabalhava como jardineiro no palácio: Johnathan McGrandon.
Lucius queria ser Rei e para isso teria que se casar com a princesa. Então, precisava dar um fim ao camponês e tratou de arquitetar um plano para acabar com o namoro. Ele sabia que o Rei sempre fazia tudo o que a princesa queria e, se esta desejasse se casar com o camponês quando chegasse a idade, era isso que iria acontecer.
O Duque, então, pagou um grupo de piratas para atacar a costa do reino de Além-mar e avisou ao Rei que era preciso combatê-los. Conseguiu convencer Camillo a mandar apenas camponeses sem nenhuma noção de combate para a batalha e, entre eles, John. Lucius deu ordens bem claras aos que iam lutar: “Não voltem até que todos os piratas tenham sido derrotados”, e aos que ficariam na retaguarda, ou seja, seus soldados: “Nem pensem em ajudar os camponeses!”. O plano tinha tudo para dar certo. Contudo, por um golpe do destino, algo não planejado aconteceria.

Já dava para ver o mar agora. Mais uns quinze metros e chegariam aos barcos que os levariam até um navio ancorado, escondido perto de uma floresta conhecida como Floresta Negra. Ninguém entrava nela por medo e superstição. Os que se aventuravam a isso, quase nunca voltavam para contar a história.
Os barcos avançaram pelo mar, desviando das pedras. Ainda ao longe, dava para se ver a bandeira negra com uma caveira branca desenhada balançando com o vento. O mar estava calmo, praticamente sem ondas. O imenso navio surgiu detrás das pedras. Ele era, até mesmo, maior que os navios do reino. A água salgada o embalava como uma mãe faz com seu bebê. Parecia não haver ninguém a bordo.
Silêncio.
Os barcos ancoraram diante da imponência de um dragão entalhado na madeira da proa. Os camponeses jogaram cordas e começaram a subir para o convés, tentando fazer o mínimo de barulho possível. Quando o último pisou no navio, foi surpreendido pelos piratas, que haviam prendido seus companheiros.
Todos os cinquenta camponeses presos por apenas treze piratas. Talvez você queira saber como foi que os piratas fizeram isso. Simples. Primeiramente, os camponeses não tinham uma mínima noção de combate, apenas tinham uma vontade enorme de vencer seus inimigos e se tornarem reconhecidos como heróis em todo o Reino. Infelizmente, isso não bastava. Os piratas, por sua vez, eram ótimos na luta. Além disso, sabiam quando algo se aproximava deles. E isso lhes dava muitos pontos de vantagem. Sem contar com a astúcia.
Pants-Down Elmer, o pirata que ficava de vigia, no mastro, observou a aproximação dos barcos e logo tratou de avisar seu Capitão. Este por sua vez, mandou que toda a tripulação ficasse quieta, para que aqueles visitantes achassem que o navio estava vazio.
Escondidos em lugares estratégicos, os piratas esperaram os camponeses subirem a bordo. E então, capturaram um após o outro, em silêncio, amordaçando-os e os prendendo com cordas, tomando cuidado para não fazer qualquer barulho, pois os que ainda não estavam no navio não podiam perceber o plano.
A cena pode ser comparada com a de quando um leopardo aproxima-se, sorrateiro, de suas presas e só se mostra para elas e começa a correr quando já está bem perto.
Estratégia.
O fator surpresa deixou os piratas pelo menos dois passos à frente de seus oponentes.
- Sabem quem eu sou? – disse um homem mascarado, ao se aproximar dos prisioneiros.
- Fenton? – um camponês amedrontado arriscou um palpite.
- Certo! – disse o homem. Seus olhos azuis brilharam por trás da máscara negra que cobria a parte superior do seu rosto, até seu nariz. – Me chamo Edward Fenton. Posso saber como descobriram que eu estaria aqui?
- Duque Lucius. – disse outro camponês. – Ele nos mandou para cá!
- E sabem o que eu farei a vocês?
- Por favor, senhor, não nos mate! – disseram alguns.
- Não? E o que devo fazer a cinqüenta homens que invadem meu navio com esse intuito?
- Por favor, senhor! – os camponeses imploravam, apavorados. - Temos família!
- Meu jovem. – disse Fenton, apontando para um rapaz alto e magro amarrado junto aos outros. – O que acha que devo fazer? Matá-los?
- Não, senhor!
- Exatamente a resposta que eu esperava. Olhem bem... Se eu desse um último desejo a qualquer um de vocês tenho certeza que pediriam para não morrer. Estou certo?
- Não, senhor! – disse o mesmo rapaz.
- Não? – espantou-se Fenton.
- Não, senhor! – repetiu o garoto.
- Por que diz isso, garoto?
- Senhor, se me concedesse um último desejo eu pediria que não matasse esses homens e que fosse até o Reino de Além-mar e entregasse algo à alguém.
- Está falando sério garoto? – disse Fenton, ainda mais espantado.
- Sim, senhor! – falou o rapaz, sério, e Fentou o fitou por um momento. Os piratas olhavam espantados para Fenton e o rapaz. Ninguém nunca havia respondido ao seu Capitão algo que o mesmo não esperava ouvir.
Silêncio.
- Marujos! – disse o pirata, ainda atônito. – Levem nossos hóspedes aos seus aposentos no castelo de proa. Vocês são muitos e não vão ficar devidamente confortáveis, mas é o que posso fazer!
- O que vai fazer com a gente? – disse um camponês, ainda amedrontado.
- Meus caros, hoje começaremos uma longa viagem até a Ilha da Caveira.
- Vai nos matar lá?
- Quem aqui falou em matar? – disse Fenton. – Bem... Na verdade eu falei. Mas era uma brincadeira. Eu deixo isso para a Marinha Mercante ou a Marinha Real. Nós faremos uma viagem até a ilha dos piratas. Vocês terão mais explicações amanhã. Garoto! – Fenton chamou o jovem por quem simpatizara. – Estava falando realmente sério sobre seu desejo?
- Sim, senhor!
- Mas se desejasse não morrer você mesmo poderia levar o presente.
- Talvez não fosse a melhor coisa a fazer!
- Como se chama, garoto?
- John. Johnathan McGrandon, senhor.
- Bem... Johnathan. É melhor ir descansar como os outros. Quero meus novos marujos bem dispostos para amanhã.
- Sim, senhor! – disse John, sorrindo, e deixou o convés.

          A tarde foi se tornando noite. John olhou para o leme e viu Fenton. Ele estava sempre lá quando o sol se punha. Gostava de passar a noite navegando. Com os pés separados e as mãos nas malaguetas, ele manejava o timão com tanta facilidade que parecia fazer parte do navio. E o único pensamento de John foi de que Fenton havia nascido para navegar uma embarcação.
          Os ventos estavam soprando mais forte, guinando o Dragão. John olhou para a sombra do pirata se inclinando e seu braço movendo o timão, enquanto o navio serpenteava no meio das ondas. O Dragão se inclinou por causa de uma lufada de vento. O timão girou, os braços do condutor se curvaram como uma manivela e, com isso, o navio se estabilizou. Parecia que Fenton era a embarcação. Seu olhar desceu a barlavento da vela mestra. Ele desceu do leme e aproximou-se de John, que segurava um anel em suas mãos, sentando-se ao seu lado.
- Já esteve nas Índias, garoto?
- Não. – John respondeu.
- Mas já esteve no mar. – disse Fenton e o Dragão balançou em meio às ondas. – Dá para ver em você... O mar corre no seu sangue.
- Já estive no mediterrâneo e uma vez atravessei o canal com o meu pai quando ele trabalhava para uma companhia de navegação, isso é tudo.
-Foi mais longe do que muita gente. – falou o pirata como se relembrasse de uma cena engraçada. - Ora, já vi uma grande quantidade de homens atravessando poças no meio da rua e olhando para trás, a fim de ver a viagem que haviam feito. – Fenton parou de falar por um instante - Já a conhece há muito tempo? A dona do anel?
- A conheci quando era garoto e...
- Ora, você ainda é um garoto!
- Quando eu era mais novo, então. Fui trabalhar no castelo onde ela é princesa e nos apaixonamos. Mas desde a primeira vez que a vi senti que já a conhecia de toda a minha vida.
- E então teve de lutar contra nós e não deu o anel.
- Exatamente. Quando me lembrei do anel já era tarde. Estávamos muito longe do castelo para voltar.
- Posso perguntar onde o conseguiu?
- Era do meu avô. Ele me deu antes de morrer.
          Fenton virou-se para as velas. Então levantou-se e fez um gesto para que John o acompanhasse. Ele foi até um cesto de palha, que estava ao lado do mastro, e pegou duas espadas.
- Já empunhou uma espada? – disse o pirata. As duas espadas eram bem parecidas, exceto pelas empunhaduras: Em uma delas havia uma caveira e ossos cruzados. A outra tinha listras douradas em horizontal na parte superior.
- Só quando fomos lutar contra vocês na costa do reino. E mesmo assim nem cheguei a usar uma de verdade.
- Mas você é apenas um garoto! Aprende rápido.
- Preciso aprender a duelar com espadas para viver na Ilha da Caveira?
- Digamos que precisa aprender a duelar para ser um pirata!
- Eu serei um pirata? – falou John com uma ponta de excitação. - Navegarei com o senhor?
- Ora, garoto! Só os piratas vivem na ilha. – disse Fenton, jogando uma das espadas para John. – Agora eu vou atacar-lhe e você vai tentar se defender.
- Mas eu não sei... – começou John, mas antes que pudesse terminar sua frase, Fenton cortou o ar com a espada e foi em sua direção. O pirata parou o golpe com poucos centímetros acima da cabeça do garoto.
- Tente apenas se defender, está bem?
- Senhor... Eu não tenho a mínima idéia de como se usa isso!
- Sei que não. Apenas tente se defender.
          Fenton novamente atacou John com sua espada, mas, dessa vez, o garoto conseguiu se defender e as espadas produziram um som forte e agudo. Elas deslizaram uma sobre a outra e as lâminas soaram como se estivessem sendo amoladas. John tinha os movimentos elegantes e os reflexos rápidos, logo aprenderia.
Novamente Fenton atacou o garoto e este pulou para trás, pondo a espada em horizontal, próxima ao seu rosto.
- Não aproxime tanto assim do rosto, garoto.
- Sim, senhor!

          Não demorou muito até que John aprendesse a duelar. E rapidamente ficou quase tão bom quanto Fenton. Viver com os piratas, ajudar a navegar eram experiências que ele nunca sonharia em ter um dia. Ele aprendeu sobre a navegação e como era fantástica a vida no mar. No começo enjoara um pouco com todo aquele balanço do navio, mas havia se acostumado depois de uma semana à bordo do Dragão.
A Ilha da Caveira, para onde estavam indo, era uma ilha de porte médio, à sudoeste de Port Royal. Fenton havia mostrado um mapa aos camponeses onde estava traçada toda a rota do navio em linhas pontilhadas. Pegando carona com os ventos alísios, navegariam para o oeste, passando ao lado de Hispaniola e Port Royal até chegarem à ilha dos piratas. Ficariam sempre perto da costa para evitar conflito com ingleses, que viviam circulando pelo Mar do Caribe.
          John e Fenton se tornaram grandes amigos rapidamente. Para o pirata, o camponês era o filho que nunca tivera e para John, Fenton era como um segundo pai. John estava deitado em seu leito quando ouviu o som de uma garrafa se quebrando, junto à gargalhadas e uma música animada que tocava quase todas as noites no navio.
Sempre que podiam, os piratas faziam uma de suas festas e o que mais havia no Dragão era uma bebida de tom amarelado chamada rum. John nunca bebera na vida. Nem se quer participava das festas. As noites que não tinha que ficar de vigia, ficava deitado em seu leito pensando em Rachel. Será que algum dia voltaria ao Reino e poderia revê-la?
          Outra garrafa quebrou-se no convés. John levantou-se, andou até a porta e saiu de seu leito. Deixou o castelo de proa em direção ao convés. O barulho das vozes dos piratas aumentou em dez vezes.
- John! – gritou Fenton, pegando uma garrafa com o tal do rum. – Venha até aqui, garoto.
- Por que nunca vem às festas, filho? – disse um camponês, que há muito já havia virado um pirata.
- Não sei! Fico pensando um pouco... – começou John.
- Pensando em mulher, eu aposto! – disse um pirata barbudo, segurando outra garrafa de rum, a quem todos chamavam de Darius Candlemaster. - Esse é o remédio perfeito para você, garoto!
- Já bebeu rum, Johnathan? – perguntou Fenton.
- Não, senhor. Nem bebida alguma.
- Vejam só! – disse um camponês, que parecia estar mais pra lá do que pra cá. – O garoto não sabe aproveitar a vida!
- Tome um pouco, John. – disse Fenton, despejando o conteúdo da garrafa numa caneca. – Vire tudo de uma só vez!
            O rapaz pegou, inseguro, a caneca de um liquido amarelo-escuro. Ele encarou o rum por um segundo, o cheiro do álcool adentrava suas narinas, fazendo-as arder um pouco. Suspendeu a caneca e virou todo o conteúdo em sua boca. Um doce prazer desceu queimando em sua garganta até o peito. Uma ardência invadiu sua boca e tomou conta de sua língua, fazendo-a formigar. Sua cabeça parecia ter explodido em mil pedaços quando ele voltou a si. Seus olhos lacrimejaram e sua respiração acelerou um pouco. Ele olhou os piratas, e depois para o mastro. Tudo rodava. Então ele caiu sentado em uma cadeira. Todos olhavam para ele. Ou pelo menos parecia que olhavam.
- E então? – perguntou Fenton. – O que achou?
- Eu posso beber um pouco mais para responder? – disse John, rindo. As gargalhadas de piratas felizes ecoaram pelos oceanos.




Capa: Valeska Pouzacski
A Ilha da Caveira será lançado em E-book.
Todos os direitos reservados à autora.

Sinopse do livro "A Filha de Gaia"




Há muito tempo, quando a floresta ainda era jovem, viviam em harmonia os homens, os animais e as criaturas mágicas. Eles protegiam uns aos outros e dormiam à sombra de enormes árvores. Mas os seres humanos buscaram o poder, ficaram violentos. E o Mundo Mágico e o Mundo dos Homens, então, se separaram. Por muitas Eras, houve tentativas de unir novamente os dois mundos. Todas em vão. O Mundo dos Homens se tornou autodestrutivo com o passar do tempo. Agora, os habitantes do Mundo Mágico resolveram fazer mais uma tentativa. Mas, talvez, os humanos tenham se esquecido de como ouvir a magia. Essa história não aconteceu tempos e tempos atrás. Ela vem sendo moldada nas Eras. E o que será contado aqui acontecerá num futuro próximo. Mas logo o planeta e até os imortais irão esquecer. Contudo, alguém lembrará.

Capa: Luisa Melo