Escolhas (2)

Como fazemos nossas escolhas?

Você já parou pra pensar porque escolhemos determinadas coisas?

Nesse post discuti sobre as coisas que nos baseamos para fazer determinadas escolhas, chegando a conclusão de que elas são resultado de várias (re)organizações que vamos fazendo fruto de outras escolhas e decisões que tomamos ao longo da vida.

O mundo está, a todo tempo, nos oferecendo possibilidades diversas, um leque delas. Mas a escolha somos nós que fazemos, dentro de nossas próprias circunstâncias.

Eu, por exemplo moro em um apartamento. Seria impossível para mim escolher criar um leão, certo? Está totalmente fora da minha realidade criar um leão, mesmo que eu quisesse.

Ainda existem escolhas que são mais difíceis de fazer. São aquelas que suscitam em mudar verdades já estabelecidas, paradigmas. É mais fácil, claro, escolher continuar a seguir o padrão. Porém, são essas escolhas difíceis que, por vezes, nos fazem mais fortes.

É o caso da escritora que não aceitou que seu público alvo achasse que "ler é chato" e rebateu essa "verdade" simplesmente dizendo que "ler é bacana" e criando projetos, ideias, que aos poucos foram reunindo seguidores adeptos e hoje existem capítulo de série, musical e projetos para TV e cinema baseados em livros de sua obra.

É também o caso do escritor que não aceitou pressupostos que diziam que ele não conseguiria nada com sua escrita, pois "no Brasil ninguém lê" ou que "o futuro de um menino pobre são as drogas". E hoje, ele é escritor de um best seller, editor de um selo de uma famosa editora, tem livro publicado fora do país e por ai vai.

E tudo isso porque eles, como tantos outros, escolheram ir atrás de seus sonhos, mesmo que essa escolha fosse difícil, necessitasse de mais esforço de suas partes.

E as escolhas que fazemos hoje, assim como aconteceu com as que fizemos no passado, se agregam com outras e geram vivências que formam novas possibilidades de escolhas e assim segue nossa vida, como  várias engrenagens de um relógio.

Escolhas

No que se baseiam nossas escolhas?

Se pararmos para pensar, nossas escolhas não são tão simples e automáticas como na maioria das vezes pensamos. Elas se baseiam em quem somos, no que há ao nosso redor, nas pessoas com quem convivemos, no nosso trabalho, nas nossas experiências e vivências, etc.

Por exemplo: Eu gostaria de fazer uma tatuagem no braço (pertinho do pulso), mas não farei isso pois sou psicóloga e ainda existe muito preconceito em relação a tatuagem, que poderia levar um paciente (ou vários) a não querer ser atendido por mim. Ou levar alguém a não querer me contratar. Por isso, faço tatuagens, mas em locais menos visíveis e que posso cobrir quando eu bem entender.

Não é um simples processo de escolher não fazer uma tatuagem no braço. Trabalho (carreira), opinião de outras pessoas. Está tudo envolvido. É isso que vai me levar a dizer "Não, não farei uma tatuagem no braço".

Agora veja, se uma simples escolha como essa envolve tantas coisas, imagine escolhas maiores como a profissão que vai seguir, se vai se casar ou comprar uma bicicleta, ter filhos ou não, se vai morar numa casa ou apartamento, e mais tantas outras escolhas que a vida nos proporciona.

Dai que isso me faz pensar sobre o livre arbítrio (expressão usada para designar a vontade livre de escolha, as decisões livres). Será que ele é fruto das organizações e reorganizações (ou desorganizações) de nossa vida diária e de nossas escolhas anteriores? Será que nossas escolhas são realmente livres?

Afinal, se eu não tivesse escolhido me tornar psicóloga e fosse uma artista, por exemplo, provavelmente teria minha tatuagem no braço.

Casa de vó

Para minha avó Terezinha

A gente entra sempre pela porta de trás, não importa se é de casa ou visita. Tem cheirinho bom de comida. Café e pãozinho pela manhã. Banho de mangueira pra os netos, sol entrando pelas janelas. Tem uma rede pendurada na parede, esperando a hora de ser armada e um caminho de plantas que leva pra cozinha.

Uma nossa senhora em meio a tantos santos protege os moradores. A salinha cheia de anjos, copos de requeijão, vestidinho no botijão de gás, sabonete na gaveta, arroz semi destampado no fogão, prendedor de roupa fechando saquinhos de comida abertos.

Muitas, muitas fotos de família e amigos, cachorros latindo no portão, cadeira de balanço da vó, calendário de santo. Entre, fique a vontade. A casa é sua. Só não repare na bagunça.

Caminhos



Lá na curva o que é que vem?

Qual destino seguir? Qual a melhor escolha?

Repetidamente, a vida me mostra caminhos, mas qual devo seguir?


Sabe quando algo passa a aparecer repetidamente na sua vida, de modo que chega uma hora que não há mais como ignorar?

Fico pensando se trata-se de coincidência, destino ou força de pensamento. Mas acho que acaba tudo sendo a mesma coisa.

As vezes, sinto vontade de desistir e sucumbir à todas as pressões, todas as estatísticas e expectativas e seguir um caminho escolhido pelos outros. É o caminho mais fácil. Não dói, não incomoda. E eu faria os outros felizes. Mas não faria a mim.

Outras vezes, a vontade é de jogar tudo para o alto e seguir caminhos totalmente opostos ao que escolheram pra mim, os meus próprios caminhos. Seria o mais complicado e difícil, eu sei. Eu desapontaria muita gente. Mas se fosse isso que me fizesse feliz, realizada?

Existem caminhos que escolhemos por serem mais fáceis e não exigir muito esforço de nós, quase como se nos deixássemos ser levados pela correnteza. Mas esse caminho não nos leva somente para o conhecido, a calmaria.

Por outro lado, se escolhermos nadar contra a correnteza, pode ser que encontremos dificuldades e obstáculos, mas que, ao serem superados, podem nos levar a tocar o céu.