(Re) Inaugurando...

Olá queridos leitores!

Não sei se vocês perceberam, mas esse blog é o "Coisas da Carol" com uma carinha nova. Aliás, esse blog já viveu muitas mudanças. Layout, nome, layout de novo e, provavelmente, muitas mudanças ainda virão. Isso porque acredito que não podemos simplesmente parar nesse mundo que gira. Não podemos nos acomodar nunca só porque, naquele momento, estamos confortáveis.

Enfim... ainda falaremos muito sobre mudanças por aqui.

Mas hoje, eu vim apresentar a nova fase (e face) do blog. O nome e o layout mudaram novamente. Isso acho que vocês já perceberam. E tudo isso tem um significado. Resolvi que, talvez, voltar as origens do blog fosse algo interessante nesse momento. E o que seria isso?

O blog de textos.

Porém, também resolvi que o blog precisa ser algo mais dinâmico, pra acompanhar essa era de redes sociais. E, pra isso, preciso também da ajuda de vocês pra me darem feedbacks do que eu postar por aqui.

Por fim, vamos falar do nome do blog, que foi, talvez, a maior das mudanças, pois é o que tem mais significado por aqui. Vocês me perguntam: Mas por que o nome do blog mudou? E por que esse nome?

Eu mudei o nome do blog, pois acho que o antigo nome não iria conseguir acompanhar as mudanças e a nova fase do blog. Acho que o novo nome tem tudo a ver com esse novo momento. E vocês vão saber porquê nos próximos posts, onde vou explicar também a minha escolha pelo novo nome.

Por enquanto, é isso!

Sejam bem vindos ao "Arcos, Máscaras e Dragões".

Primeira impressão



A primeira impressão é algo que formam sobre você em 30 segundos. Ou seja, provavelmente vai estar errada. Afinal, a não ser que você tenha a profundidade de uma colher, é complicado alguém te "ler" em 30 segundos a não ser que ela seja um profissional nisso.

Por outro lado, nesse mundo acelerado onde vivemos, esse tempo (30 segundos) que temos de analisar alguém faz muito sentido. Por estarmos sem tempo para quase nada, hoje em dia, 30 segundos é um tempo razoável. Contudo, há um perigo nisso: o de não dispor de mais tempo para conhecer de fato aquela pessoa acreditando que a primeira impressão basta, seja ela positiva ou negativa.

Ninguém nunca, até hoje, conseguiu "me ler" na primeira vez que me viu, nunca formaram uma primeira impressão sobre mim que de fato tenha a ver comigo. Isso porque me mostro uma pessoa completamente diferente em ambientes em que não me sinto segura. Não sei se isso é bom ou ruim. Apenas é como eu sou.

Tem pessoas que convivem com você por anos e, de repente, você descobre algo novo sobre ela. Conhecer alguém demanda tempo. Muito. Anos. Ou você pode acabar achando que aquela imagem lá de cima é somente uma face de frente para outra.

Me diz agora: Qual é sua impressão sobre essa figura abaixo?


VIVA a diferença ou "Vermelho da cor do céu"

Era um menino que gostava de filmes e de brincar, que andava de bicicleta e tinha ideias grandes. Era um menino que tinha amigos de verdade e transgredia algumas regras da escola, como qualquer outro. E como qualquer outro, era um menino que tinha dificuldades e limitações, como eu e você, mas que não o impediam  de fazer o que ele queria, pois o menino também tinha inúmeras possibilidades e, para ele, o céu era o limite.

Era um menino que gostava de sons e de imaginar as coisas por trás de cada um deles. Um menino cego que tinha medo de escuro, pois para uma criança o escuro é assustador, independente de ela ver ou não.

Responsabilidades e o que as formigas têm a nos ensinar

Tem muita gente que reclama de determinadas coisas, mas não assume sua própria parcela de responsabilidade em outras.

Por exemplo, aposto que você, caro leitor, conhece alguém que reclama de políticos, mas recusa-se a votar nas eleições. Também aposto que você deve conhecer uma pessoa que incomoda-se com o fato de muitas ruas alagarem em época de chuva, mas que um dia já jogou um papel de bala no chão.

E a história do pai que chora a morte de seu filho pequeno que, acidentalmente, disparou contra si próprio a arma que o pai guardava em casa? Você já ouviu falar de algo assim?

Eu já!

O que isso tem a ver?

Somente que é primordial assumir sua responsabilidade nas questões que te cercam. Afetar-se, incomodar-se. Sair do lugar cômodo e seguro.

Você já se perguntou o que tem a ver com a fome do mundo? Sim, você tem uma parcela de responsabilidade sobre isso quando você joga comida ainda boa para consumo no lixo.

Não sei se alguém já parou para observar formigas. Elas sempre estão fazendo alguma coisa, cada uma em sua função, para o bem de todas elas. Fico pensando se elas resolvessem deixar suas responsabilidades pra traz. O que será que aconteceria?

Trazer para si a parcela de responsabilidade que lhe cabe é o primeiro passo para avançar. Passar a vida culpando outras pessoas não nos leva a nada. Se você quer mudanças, busque-as. De que serve ficar parado dizendo "de que adianta eu fazer a minha parte se as outras pessoas não fazem?".

É... de nada adianta se todos pensarem assim.

Sobre o direito a liberdade de expressão

Dia desses (mentira, já faz mais tempo que somente uns dias), no facebook (muitas discussões por lá) fui avisar a um colega que o comentário que ele estava fazendo, do modo que ele estava fazendo, com as palavras que ele estava usando, poderia ser interpretado como um comentário homofóbico. O motivo pelo qual fui fazer esse alerta foi unicamente pelo fato de que se isso chegar a se tornar um ato punível pela lei, assim como o racismo, esse cidadão que alertei, pode vir a responder criminalmente.

Mas, como bonzinho só se fode dá mau, a pessoa me vem com 4 pedras na mão, dizendo que falava o que quisesse, pois o facebook era dela e que ela estava exercitando sua liberdade de expressão (não exatamente com essas palavras. Foi um pouco mais feio o palavreado).

Sim, cidadão. Todos temos direito a liberdade de expressão, mas isso não significa desrespeitar as pessoas. O seu direito termina onde começa o do outro e é seu DEVER respeitar acima de tudo. E é isso o que muitas pessoas não entendem, julgando por liberdade de expressão poder falar o que bem entender e pronto.

Se você, nobre cidadão, vivesse em uma caverna, ótimo para você que ia poder falar o que lhe viesse a cabeça. Porém, como não é esse o caso e você vive numa sociedade onde não só você, mas TODOS têm liberdade de expressão, imagina se todo mundo resolvesse sair por ai exercitando isso, fazendo e dizendo o que bem entendesse e usando como desculpa a liberdade de expressão!

É... não ia ser bom.

Quando é preciso mudar

Acho que sou uma pessoa que não tem grandes problemas com mudanças. Todas as que vivi na minha vida consegui me adaptar, de uma forma ou de outra. Aliás, julgo que isso é uma ótima qualidade minha, já que segundo Darwin e suas ideias sobre a teoria da evolução e transmutação das espécies, quem não muda para atender as exigências do ambiente em que vive sucumbe à seleção natural e à extinção. Afinal, quem acaba sobrevivendo às mudanças do mundo? Exatamente as pessoas que mudam junto com ele.

Pois bem. Tem algumas pessoas que vêem mudanças como algo negativo. "Ah, você mudou. Não é mais a pessoa que eu conhecia". E eu penso: "Que bom! Acho que se isso não acontecesse, seria impossível eu estar viva agora, já que existem células no meu corpo que morrem e outras que nascem. Eu acordo hoje diferente da pessoa que fui dormir ontem. A vida é assim, nada será sempre do mesmo jeito e eu gosto de acompanhar as mudanças".

Se eu gostava de determinado estilo musical e deixei de gostar, passando a gostar de outros, sim, eu mudei. Se eu me vestia de uma forma e hoje me visto de outra, sim, eu mudei. O que tem de errado nisso? Eu gosto de experimentar e viver coisas novas, gosto de me sentir livre pra fazer minhas escolhas, gosto de fazer mais de uma coisa de uma só vez. É assim meu modo de funcionar.

Se eu erro, eu vou querer mudar para acertar da próxima vez, não vou querer permanecer errando, certo? E mesmo que eu acerte, às vezes existem outras formas de acertar e posso querer mudar para tentar chegar nelas.

Ultimamente, muitas mudanças vêm acontecendo comigo em todos os níveis da minha vida. Na verdade, 2013 está sendo, como eu esperava e como 2012 já apontava, um ano de mudanças.

Muita coisa já havia começado a mudar nos anos anteriores. Mudei meu status de estudante para profissional. Mudei de casa e toda a minha rotina se modificou em função disso. Mudou a forma de eu me apresentar para as pessoas. Mudou meu sorriso.

E agora outras coisas mudaram. Mudou meu modo de pensar e ver algumas coisas, o modo de eu me relacionar com as pessoas, mudou novamente minha rotina em função do trabalho e até mesmo minha forma de acordar. Mudou o gosto da comida. Mudou o estilo, a forma de eu me vestir e de eu me comunicar. Mudou minha forma de escrever e de me colocar no mundo. Mudou a forma de eu lidar comigo mesma.

Ainda mudou meu lugarzinho na web e assim me expressar através de algo que tanto gosto: a moda. Sai do blog que iniciei, lá em 2010, porque eu havia mudado e eu não me via mais feliz daquela forma. Então mudei de endereço na internet.

Mas não mudou a vontade de nunca parar, de recomeçar e de seguir sempre em frente.

Sobre o direito ao casamento gay

Depois das declarações polêmicas do pastor evangélico Silas Malafaia acerca da sexualidade humana, tivemos a eleição do pastor Marco Feliciano (autor de declarações preconceituosas sobre africanos e gays, em 2011) para a presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara. Ainda, em carta de repúdio a projeto de casamento gay enviada aos monastérios de Buenos Aires, o novo Papa eleito declarou: "Não sejamos ingênuos, não se trata de uma simples luta política. É uma pretensão destrutiva ao plano de Deus. Não se trata de um mero projeto legislativo, é apenas o sinal de uma mentira que pretende confundir e enganar os filhos de Deus".

Tá. Mas o que isso tem a ver com nosso país (Brasil), e com o direito ao casamento gay no nosso país?

O Brasil é, teoricamente, um estado laico.

Estado secular ou estado laico é um conceito onde o estado é oficialmente neutro em relação às questões religiosas, não apoiando nem se opondo a nenhuma religião. Um estado laico trata todos os seus cidadãos de forma igualitária, independente de sua escolha religiosa, e não deve dar preferência a indivíduos de certa religião.


Sendo assim, qualquer religião que seja não pode "apitar" em nada no que diz respeito à leis. Porém, o Brasil é um país, quase que em sua totalidade, cristão. E os valores das religiões que fazem parte dessa vertente estão enraizados na nossa cultura, de uma forma ou de outra. Por que será que a união homossexual ainda não foi legalizado em todo o país como casamento e não somente união estável?

Penso que, na religião deles são eles que mandam (ou quem eles servem). Se disserem que pedra é água tá dito e pronto. Mas a lei e a política deveriam ser separados de tudo isso. Porém, muitos líderes religiosos ocupam cargos políticos. Ok, isso não é errado nem proibido. Pelo menos enquanto não houver interferência dos ideais religiosos dessas pessoas nos cargos que elas ocupam.

Então, se padres e pastores (cito esses por serem maioria e ilustrarem bem a situação) se recusarem a celebrar o casamento religioso entre pessoas do mesmo sexo, eles têm todo o direito. Quanto a isso, não tem lá muito o que fazer. Funciona assim há muito tempo. Agora, eles não têm é o direito de "meter o bedelho" onde não lhes diz respeito (lei, política).

Ninguém tá pedindo pra ninguém aceitar a sexualidade das pessoas não. Mas é DEVER de cada um respeitar o DIREITO da pessoa ser como ela é. Só isso. Simples. A lei e a política não tem obrigação de consultar o Papa ou os pastores para saber se eles concordam com que o casamento gay seja reconhecido legalmente. Nem mesmo se Deus descesse lá do trono dele ou Posseidon resolvesse detonar à costa brasileira em protesto deveria haver qualquer dúvida legal e/ou política para tal resolução.

Todos têm o direito ao casamento, não somente à união estável, se assim quiserem e qualquer que seja a igreja, pode bater o pé, espernear, mas não pode interferir na lei e na política. Religião não tem nada a ver com isso.

Vamos ficar cada um no seu quadrado.


Se você concorda, comente! Se você discorda, comente também! Vamos discutir de forma civilizada e inteligente sobre essas questões tão importantes.

Sobre o direito de escolher

Hoje entrei numa discussão no facebook (como vocês sabem adoro temas polêmicos) e resolvi trazê-la aqui para o blog.

Tudo começou quando minha tia colocou uma frase de uma matéria da revista Vida Simples que dizia: "Quem disse que para ser feliz é preciso crescer e multiplicar-se? Cada vez mais, casais optam por não ter filhos - e são felizes assim".

E ai, um amigo dela do facebook comentou "É verdade, só descobrem na velhice que não deixam nenhum legado que não deixar nenhum legado como um filho bem criado é partir sem deixar nada de realmente importante".

Comentei que legados importantes sempre podemos deixar, independente de termos filhos ou não. Escrever um livro, plantar uma árvore (os clássicos), descobrir a cura para o câncer, etc. São muitas as coisas que podemos fazer em vida, que deixaremos após nossa morte. E, realmente, ter filho somente pelo fato de deixar um legado à humanidade, não é motivo para fazer essa escolha. Na verdade, há outras razões embutidas ai que, raramente, paramos para refletir sobre. Como por exemplo: Nossos desejos narcisistas, temor da solidão e incansável busca pela imortalidade.

Ora, quando temos filhos e projetamos neles os desejos que não conseguimos realizar em nossas vidas, não se trata de um certo grau de narcisismo?

"Meu filho, meu pai que era seu avô, era um farmacêutico renomado, eu nunca gostei de estudar e acabei nem mesmo me formando. Mas você é muito aplicado nos estudos, por que não presta vestibular para farmácia?".

Quem nunca ouviu algo assim? Muitas vezes queremos que nossos filhos sigam por caminhos que escolhemos e julgamos ser o melhor para eles. Porém, nem mesmo pensamos qual seria a escolha deles. Alguns, se negam a deixar suas vidas serem comandadas pelos pais. Mas outros se submetem por motivos diversos e subjetivos de cada um.

Também temos muito medo de ficar sozinhos. Muitas pessoas têm filhos para que estes cuidem delas na velhice. Sim, isso é um fato. Vemos claramente quando conversamos com idosos que fizeram a escolha de ter filhos por esse motivo.

"É... você bota um filho no mundo, dá de tudo e quando eles crescem e formam uma família, esquecem que tiveram pais".

Quem nunca ouviu algo assim?² Aliás, isso me lembra um livro que li quando estava na faculdade. Se chama "Abandonarás teu pai e tua mãe", numa menção a frase da bíblia: "O homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e os dois se tornarão uma só carne" (Gênesis: Capítulo 2, verso 24. Bíblia Sagrada. SBB. Tradução na linguagem de hoje). O livro faz uma análise psicanalítica acerca do casamento e é muito bom para ser lido por pais e filhos. Mas isso fica para um próximo post.

Continuando... chegamos a incansável busca pela imortalidade. Sim, isso é quase um desejo universal do ser humano. Quase como se fizesse parte de nós. Na verdade, se pensarmos a partir de uma visão biológica do assunto, é exatamente isso. Nós buscamos, com a reprodução/procriação (ter filhos), a manutenção e continuação da espécie (naquela parte biológica do nosso ser).

Platão, em seu livro "O Banquete" trata sobre isso. Muito resumidamente, o livro fala do amor, em suas mais variadas facetas. E há um trecho onde é falado que o amor é o que todos buscam, já que esse sentimento levaria à imortalidade, posto que, é a partir dele, que se gera a perpetuação de si mesmo. Como minha avó mesmo disse: "é uma forma de manter-se vivo, deixar no mundo um pedaço de si".

E a incansável busca pela imortalidade se aplica, ainda, juntamente ao desejo narcisista de reconhecimento, ao que foi mencionado também na discussão do facebook, onde a pessoa disse que "bom seria se fossemos todos um Monteiro Lobato e deixássemos uma obra literária de qualidade. Deixar livros que não sejam lidos não vejo vantagem. Quanto à árvore, plantar uma bem grande e com frutos de gosto inquestionável seria também bem interessante. Sem contar que colocar nela uma placa de bronze bem grande com seu nome cravado para a posterioridade é também bem viável".

Se não por isso, por que então a necessidade de que alguém leia o seu livro (afinal escrever não significa publicar)? Para que uma árvore tão grande? E, ainda mais, com uma placa com seu nome? Isso não é buscar reconhecimento? Não é alimentar seu ego? E eu que fiquei tão feliz ao plantar minha primeira árvore, lá no mangue do Rio Potengi. Igual a todas as outras, mas que vai durar por muito tempo, sem que ninguém precise saber qual é. Hoje tenho quatro árvores plantadas nesse mundão. E ainda quero plantar mais. Afinal, o mundo está precisando de mais árvores.

Porém, para mim as motivações que levam alguém a ter um filho, por mais importantes que sejam, ainda ficam em segundo plano. Penso que o mais relevante é aceitar que hoje temos outras possibilidades de escolhas que não tínhamos décadas atrás. Não é segredo pra ninguém que o mundo está mudando. Não sou contra ter filhos. Eu quero ter um filho (ou dois, talvez), mas quero FAZER essa escolha. Não quero que ela me seja imposta, como era antigamente, quando as mulheres não tinham outras opções de vida que não fosse cuidar da casa, do marido e dos filhos.

Eu quero ESCOLHER casar, ter filhos e o que mais eu queira. E respeito quem ESCOLHE seguir a vida de outra forma. Sim, existem MUITOS casais sem filhos e felizes. E que podem continuar ou não sendo felizes dessa forma. As consequências às escolhas feitas é algo que só diz respeito à eles. Ficar tentando adivinhar o futuro dos outros não é algo interessante.


P.S.: Ao dizer que desejos narcisistas, temor à solidão e busca pela imortalidade motivam algumas pessoas a fazerem a escolha de ter filhos não estou afirmando que TODAS as pessoas no mundo escolhem ser pais e mães o fazem por um desses três motivos. Sei que existem pessoas que decidem conscientemente e de forma reflexiva fazer essa escolha.


E vocês, o que acham?

As princesas da Disney e a "ilusão ilusória" de seus efeitos sobre as mulheres...



Dia desses, conversando com uma colega sobre a música do Roberto Carlos (nem preciso dizer que é "Esse cara sou eu" né?), ela disse uma frase que me fez passar a semana inteira pensando sobre. Foi mais ou menos assim: "Mas isso de as mulheres ficarem esperando um homem perfeito é culpa dos filmes da Disney".

Se a gente começar a analisar os filmes das princesas da Disney (onde sabemos que tudo é pra sempre, maravilhosamente perfeito e onde todos começam a cantar, do nada), vamos dizer, de supetão  que eles (re)produzem mulheres passivas e que ficam a vida esperando de seus príncipes encantados em cima de cavalos brancos.

Porém, se continuarmos analisando, indo a fundo nas histórias de cada uma das princesas Disney, podemos pensar algumas coisas bem mais interessantes:

Você sabe quais são todas as protagonistas dos filmes de desenho animado consideradas princesas Disney? Vou apresentá-las em ordem cronológica.

A Branca de Neve, que teve o filme lançado em 1937, é a princesa mais passiva de todas. Depois de fugir da madrasta, escapa da morte porque o caçador desiste de matá-la, encontra os sete anões que cuidam dela até o dia que ela é encontrada pelo príncipe. É muita passividade junta, não? Mas o que se passava com as mulheres na década de 1930? Veja se elas não se comportavam do mesmo modo que a Branca de Neve. Será que a Disney colocou esse padrão de pensamento e comportamento na vida das mulheres dos anos 1930 ou ele reproduziu a sociedade da época?

A Cinderella (1950), é descrita como bondosa e pura de coração. Maltratada por sua madrasta e irmãs de criação, um belo dia é surpreendida pela visita de sua fada madrinha (se não fosse ela, Cinderella ia continuar como gata borralheira pelo resto da vida). Com essa ajuda, a princesa vai ao baile e conhece o príncipe com quem se casa (depois de perder o sapatinho de cristal) e vive feliz para sempre. Passividade? Sim. Estamos em 1950 ainda. Mas já vemos algumas mudanças. É Cinderella que se movimenta para ir ao baile (antes da aparição da fada madrinha). Ela decide ir ao baile em vez de ficar esperando em casa.

A Bela Adormecida (1959) ainda é muito protegida, muito passiva. Após uma maldição lançada por Maléfica, onde é proferido que a princesa irá furar o dedo numa roca quando completar 16 anos e dormirá para sempre, Aurora é levada para morar com 3 fadas (Flora, Fauna e Primavera), que se disfarçam de humanas para proteger a princesa. Sim, após adormecer, Aurora fica a espera do príncipe, pois só um beijo do amor verdadeiro vai acordá-la de seu sono profundo. E isso é um ato de passividade. Porém, nem entramos em 1960 ainda. Gente, a Bela Adormecida se casa com 16 anos. Eram outros tempos né! Mas quem disse que Aurora era só passividade? Ela foi até revoltadinha, desobedecendo a ordem das fadas e indo procurar encrenca xD

Damos agora um pulo de 30 anos. Em 1989, foi lançado o filme "A Pequena Sereia". Ariel, filha do Rei Tritão, vive um amor proibido. Ela se apaixona por um humano. E não foi porque o príncipe Erick a encontrou. Ela ia atrás de aventuras, de algo que a tirasse do mundinho em que vivia. Ela queria viver algo diferente. Onde uma pessoa passiva faria isso? Ariel não espera pelo príncipe encantado. Ele aparece na vida dela coincidentemente enquanto ela está procurando viver algo interessante. E mais, ela rompe com o pai (revoltadinha, não segue o esperado, desobediente) e vai atrás do que ela quer, não fica esperando que alguém resolva as coisas pra ela.

Pouco tempo depois, em 1991, surge A Bela e a Fera. Bela é uma moça de vila (quase uma cidade pequena de interior) que sonha com muito mais do que o destino que é reservado pra ela. Pra salvar o pai, ela aceita tornasse prisioneira de Fera, um "monstro" com coração mole. Mas aos poucos, com a convivência, ela começa a se afeiçoar por Fera e aprende a amá-lo sem nem mesmo saber que ele é um príncipe. Ela podia ser como as outras garotas da vila, se casar com Gastão (o bobão que só sabe se vangloriar). Mas ela escolheu ficar com Fera. Eu acho fantástico quando ele dá uma biblioteca pra ela. Gente, quer coisa mais linda que isso? Ele a entende, valoriza o intelecto dela, não somente sua beleza.

Por fim, trago a Jasmine, última das princesas clássicas da Disney. Jasmine é a princesa do filme Aladdin (1992). De personalidade forte, ela não aceita as imposições de seu pai acerca do homem com quem vai se casar. E ela se apaixona pelo Aladdin antes mesmo de ele encontrar o gênio e virar príncipe. Ela se apaixona por ele no momento em que o encontra na rua, enquanto está disfarçada de empregada do palácio. E quando o pai decide que ela vai casar com Aladdin (achando que ele é o príncipe Ali), ela se recusa e somente o aceita quando o reconhece e, inclusive, faz o pai extinguir a lei que diz que a princesa só pode se casar com um príncipe legítimo.

E, além das princesa clássicas, são consideradas princesas Disney: Pocahontas (mulher forte que enfrenta tudo e todos pelo que quer), Mulan (nem preciso falar. Se disfarça de homem para proteger o pai doente de ir para a guerra e é um dos soldados mais valentes), Tiana (primeira princesa negra da Disney. Garota pobre que sonha em ser proprietária de um restaurante e trabalha incansavelmente para esse fim).

Aliás, se pensarmos bem, muitos filmes estão sendo feitos agora (inclusive da Disney) com protagonistas mulheres, fortes, independentes, decididas, etc. E isso por que? Não é porque a Disney está sendo toda moderna. É porque a sociedade está mudando, as formas de pensar estão mudando.

Fazendo essa retrospectiva dos filmes de princesas Disney, percebemos que cada uma tem a cara de sua época, reflete os costumes e a forma de pensar daquele tempo. E só porque foram produzidos em épocas diferentes da que vivemos agora, não quer dizer que não vamos mais assisti-los. Acho que dizer que a indústria Disney é responsável por iludir as mulheres de que o papel delas é esse ou aquele é meio, contraditoriamente, ilusório. É como na História. As mulheres em tal tempo pensavam de tal forma. Estudar essa época não vai nos fazer pensar e agir do mesmo modo que elas. Pra mim não faz sentido pensar dessa forma.

E você, o que acha?


UPDATE
1) As princesas da Disney e suas histórias são baseadas em contos muito antigos que eram contados de forma bem diferente do que são hoje. Mas o que é criticado e o que estou "defendendo" aqui é o modo como a Disney mostra essas histórias.
2) Alguns filmes atuais da Disney mostram críticas às princesas mais tradicionais e antigas, mostrando que hoje a coisa está diferente e o que comanda é o girlpower.

Está cada vez mais difícil acordar... [Fios de Prata - Reconstruindo Sandman]



Quem acompanha este blog sabe que não faço resenhas, o que faço é falar de como me senti lendo determinado livro e/ou o que achei dele. Houve uma boa repercussão quando falei do "O Inverno das Fadas", da Carolina Munhóz (clica aqui pra ver) e resolvi que, em 2013, iria comentar sobre mais livros.

O livro que falarei hoje será "Fios de Prata - Reconstruindo Sandman", do Raphael Draccon. Conheço o trabalho do Draccon desde de quando ele lançou "Dragões de Éter - Caçadores de Bruxas" (ainda pela Editora Planeta) e me tornei fã do escritor a partir do momento que li as primeiras palavras. Em 4 de dezembro de 2010, ele veio para minha cidade (Natal/RN) para um evento promovido em prol do GACC (Grupo de Assistência à Criança com Câncer) e me tornei fã da pessoa Raphael Draccon. Desde então tenho acompanhado seu trabalho.

Raphael Draccon é, além de autor, roteirista e responsável pelo selo Fantasy (Casa da Palavra - Grupo Leya). Ficou conhecido pela trilogia Dragões de Éter [DdE] e tem obras publicadas fora do país. (Quer saber mais sobre o trabalho do Draccon? Clica aqui).

Gosto muito do estilo de escrever do Draccon (em todos os seus livros). É uma maneira muito particular, única, de contar uma história. E por causa disso, é facilmente reconhecida por seus leitores. É uma forma leve, que faz a leitura fluir facilmente. A linguagem também é super acessível, fácil de compreender. E é bem dividida, as pausas estão nos locais e tempos certos. Tenho sempre a impressão de que estou lendo um filme (não o roteiro, o próprio filme) e isso é muito interessante. E, não por coincidência, o Draccon é também roteirista.

Mas agora, vamos falar do livro "Fios de Prata" em si. Iniciando pela capa (porque sim, olhei todos os milímetros possíveis dela), o livro já te conquista. Achei super bem feita, desde a ilustração até as fontes escolhidas para as letras.

E começa o livro. Há um prólogo, que dá uma situada acerca do que vai aparecer lá na frente pra você não se perder, pois se você não entender minimamente como funciona o Sonhar (onde se passa grande parte da história), vai dá um nó na sua cabeça.

"Fios de Prata" conta a história de Mikael Santiago, jogador de futebol brasileiro, mais conhecido como Allejo, que se apaixona pela ginasta, também brasileira, Ariana (fãs de DdE atirem a primeira pedra quem não leu Ariane Narin xD). Porém, mesmo vivendo imerso em terríveis pesadelos durante seu sono, ele nem imagina que está envolvido em uma guerra onírica de proporções imensuráveis.

Ficamos envoltos em cenários incríveis, personagens bem construídos e uma trama que te prende até a última palavra. Uma história tão bem contada que te tira o fôlego de tal forma, que passa a ser difícil parar de ler em alguns momentos. E o que foi aquele final? Eu sempre descubro tudo antes do final (com livros ou filmes) e isso me deixa de certa forma frustrada. Mas sempre me surpreendo quando se trata dos livros do Draccon. Sabe o que é ler um livro imaginando uma coisa e descobrir outra completamente diferente?

A única coisa que não gostei, sinceramente (me desculpem todos os preconceitos), foi um jogador brasileiro de futebol como personagem principal. Passei o livro inteiro (exceto as partes que faziam referência direta ao futebol) imaginando Allejo como alguém completamente diferente xD

Porém, mais do que Allejo, Ariana e os deuses do Sonhar, o livro envolve o ser humano em toda a sua complexidade. E traz assuntos que nos tocam profundamente como pessoas. Não consigo colocar em palavras tudo o que senti ao ler "Fios de Prata". Só sei que eu me encontrei em muitos personagens ali. Eu senti nojo, vergonha, raiva, alegria, angústia. Senti frio na barriga a cada encontro do casal principal. Senti medo de dormir. Mas, principalmente, senti uma enorme dificuldade em acordar (e isso vai piorando no decorrer do livro). Não no sentido exato da palavra, mas uma dificuldade em sair daquele mundo, parar de ler.

E, cada vez que eu fechava o livro, era como se meu próprio fio de prata me puxasse de volta à realidade.



P.S.: Me perdoem por não ter falado muito sobre a história do livro, mas é que sou péssima para fazer sinopses. Elas sempre ficam grandes demais (e deixam de ser sinopses xD). Quer saber mais sobre o "Fios de Prata - Reconstruíndo Sandman"? Então nada melhor que o próprio autor pra falar certo? Acesse o site do Raphael Draccon clicando aqui.

P.S.2: Quero deixar aqui expressa minha imensa alegria em ver como a literatura brasileira, principalmente a fantástica, vem ganhando espaço e público em todo o país.

O prazer com trabalho ou o trabalho com prazer

Texto inspirado em Vinícius D'Luca e Raphael Draccon.


Ultimamente, tenho pensado muito nessa questão. E discutido com algumas pessoas também. Hoje em dia, é cada vez mais comum encontrar pessoas que preferem trabalhar com o que gostam (as vezes até com um retorno financeiro menor) do que com algo que não lhes traga satisfação pessoal.

Só que temos um problema ai: há uma crença dicotômica acerca do trabalho e do prazer. Aposto que você já ouviu frases como "O trabalho é uma coisa, o prazer é outra" ou "Você tem que trabalhar para ter como pagar seus momentos de lazer".

Seguindo por essa linha, até nos parece errado trabalhar com o que gostamos. Mas por que?

Se pensarmos lá atrás, quando surge o cristianismo, surge também a ideia de que "O sacrifício traz recompensas". Tanto é que muitas pessoas fazem promessas de ficar tanto tempo sem isso ou aquilo para conseguir suas graças (ou mesmo agradecer a graça alcançada através de sacrifícios). E, do mesmo modo que o cristianismo, essa crença perdura até os dias de hoje.

Então, de acordo com isso, nosso "ganha pão" não pode nos trazer prazer, já que é preciso que haja um sacrifício fazendo algo que não gostamos para que a recompensa venha. Você transformar seu hobby em trabalho, então, é quase um sacrilégio.

Outra crença que temos até hoje e que também começou lá atrás é uma visão meio burguesa de "trabalhar duro na semana para que o lazer (e prazer) do fim de semana possa ser validado. Isso me lembra os famosos compartilhamentos de facebook com frases como "Oba, amanhã é sexta" ou "Que bom começar as férias. Ou mesmo "Sexta feira, já pode voltar". Fico triste em ver que tantas pessoas são infelizes no trabalho.

Acho ótima uma frase de Henrique José de Souza, que diz "A humanidade é infeliz por ter feito do trabalho um sacrifício e do amor um pecado". E se hoje nós somos escravos do trabalho, é porque o colocamos exatamente nesse patamar de sacrifício.

Há ainda pessoas que pensam que, ao escolher trabalhar com o que gosta, vai deixar de gostar daquilo, exatamente porque vai se transformar em trabalho. Mas isso não passa de uma crença que nos paralisa, que nos engessa e que, cada vez mais, nos leva a repetir padrões. Muitas vezes não paramos para pensar por que escolhemos determinado trabalho e por que nos encontramos estressados, cansados, esgotados.

Dai, partimos para o que nos dá prazer, que nos serve como cano de escape para os problemas da nossa vida. E ficamos nisso, muitas vezes para o resto da nossa existência. Mas vejam que se escolhermos trabalhar com o que gostamos, seremos mais felizes e renderemos muito mais não só no trabalho, mas também em outras esferas de nossa vida. Por que não dizer "Que ótimo! Hoje é segunda feira!"?

Confúcio diz "Escolha um trabalho que gostes e não terás que trabalhar nem um dia na sua vida". Mas ai vem outra questão: E se o que eu gosto de fazer "não tiver um bom mercado"? Olha, eu só te digo uma coisa. Muitas vezes usamos como desculpa algumas "verdades" que já se tornaram verdadeiros dogmas para nós. E passamos a nos esconder atrás disso.

Acredito que, quando queremos algo, corremos atrás e nos esforçamos para que dê certo. E essas crenças nos atrapalham bastante. Então por que não pesquisar seu mercado de trabalho e se adaptar a ele em vez de criar cada vez mais empecilhos entre você e seu objetivo?

Porém, as novas gerações estão (que ótimo) modificando esse pensamento. Se há alguns anos, só eram reconhecidas carreiras como "advogado", "médico", "engenheiro", "funcionário público" e "dono (ou filho de dono) de fazendas", hoje temos um leque de opções que, inclusive, podem ser tão rentáveis quanto as citadas anteriormente.

E acho isso uma super evolução. Mas ainda estamos caminhando aos poucos. Como eu disse, ainda há essa dicotomia muito forte em nossa sociedade. Ela está tão entranhada, que talvez demore um pouco para que se dissolva por completo. Mas acredito que, mais cedo ou mais tarde, essa forma de pensar vai dar lugar a outras. E outras. E assim o mundo gira.

Escolhas (2)

Como fazemos nossas escolhas?

Você já parou pra pensar porque escolhemos determinadas coisas?

Nesse post discuti sobre as coisas que nos baseamos para fazer determinadas escolhas, chegando a conclusão de que elas são resultado de várias (re)organizações que vamos fazendo fruto de outras escolhas e decisões que tomamos ao longo da vida.

O mundo está, a todo tempo, nos oferecendo possibilidades diversas, um leque delas. Mas a escolha somos nós que fazemos, dentro de nossas próprias circunstâncias.

Eu, por exemplo moro em um apartamento. Seria impossível para mim escolher criar um leão, certo? Está totalmente fora da minha realidade criar um leão, mesmo que eu quisesse.

Ainda existem escolhas que são mais difíceis de fazer. São aquelas que suscitam em mudar verdades já estabelecidas, paradigmas. É mais fácil, claro, escolher continuar a seguir o padrão. Porém, são essas escolhas difíceis que, por vezes, nos fazem mais fortes.

É o caso da escritora que não aceitou que seu público alvo achasse que "ler é chato" e rebateu essa "verdade" simplesmente dizendo que "ler é bacana" e criando projetos, ideias, que aos poucos foram reunindo seguidores adeptos e hoje existem capítulo de série, musical e projetos para TV e cinema baseados em livros de sua obra.

É também o caso do escritor que não aceitou pressupostos que diziam que ele não conseguiria nada com sua escrita, pois "no Brasil ninguém lê" ou que "o futuro de um menino pobre são as drogas". E hoje, ele é escritor de um best seller, editor de um selo de uma famosa editora, tem livro publicado fora do país e por ai vai.

E tudo isso porque eles, como tantos outros, escolheram ir atrás de seus sonhos, mesmo que essa escolha fosse difícil, necessitasse de mais esforço de suas partes.

E as escolhas que fazemos hoje, assim como aconteceu com as que fizemos no passado, se agregam com outras e geram vivências que formam novas possibilidades de escolhas e assim segue nossa vida, como  várias engrenagens de um relógio.

Escolhas

No que se baseiam nossas escolhas?

Se pararmos para pensar, nossas escolhas não são tão simples e automáticas como na maioria das vezes pensamos. Elas se baseiam em quem somos, no que há ao nosso redor, nas pessoas com quem convivemos, no nosso trabalho, nas nossas experiências e vivências, etc.

Por exemplo: Eu gostaria de fazer uma tatuagem no braço (pertinho do pulso), mas não farei isso pois sou psicóloga e ainda existe muito preconceito em relação a tatuagem, que poderia levar um paciente (ou vários) a não querer ser atendido por mim. Ou levar alguém a não querer me contratar. Por isso, faço tatuagens, mas em locais menos visíveis e que posso cobrir quando eu bem entender.

Não é um simples processo de escolher não fazer uma tatuagem no braço. Trabalho (carreira), opinião de outras pessoas. Está tudo envolvido. É isso que vai me levar a dizer "Não, não farei uma tatuagem no braço".

Agora veja, se uma simples escolha como essa envolve tantas coisas, imagine escolhas maiores como a profissão que vai seguir, se vai se casar ou comprar uma bicicleta, ter filhos ou não, se vai morar numa casa ou apartamento, e mais tantas outras escolhas que a vida nos proporciona.

Dai que isso me faz pensar sobre o livre arbítrio (expressão usada para designar a vontade livre de escolha, as decisões livres). Será que ele é fruto das organizações e reorganizações (ou desorganizações) de nossa vida diária e de nossas escolhas anteriores? Será que nossas escolhas são realmente livres?

Afinal, se eu não tivesse escolhido me tornar psicóloga e fosse uma artista, por exemplo, provavelmente teria minha tatuagem no braço.

Casa de vó

Para minha avó Terezinha

A gente entra sempre pela porta de trás, não importa se é de casa ou visita. Tem cheirinho bom de comida. Café e pãozinho pela manhã. Banho de mangueira pra os netos, sol entrando pelas janelas. Tem uma rede pendurada na parede, esperando a hora de ser armada e um caminho de plantas que leva pra cozinha.

Uma nossa senhora em meio a tantos santos protege os moradores. A salinha cheia de anjos, copos de requeijão, vestidinho no botijão de gás, sabonete na gaveta, arroz semi destampado no fogão, prendedor de roupa fechando saquinhos de comida abertos.

Muitas, muitas fotos de família e amigos, cachorros latindo no portão, cadeira de balanço da vó, calendário de santo. Entre, fique a vontade. A casa é sua. Só não repare na bagunça.

Caminhos



Lá na curva o que é que vem?

Qual destino seguir? Qual a melhor escolha?

Repetidamente, a vida me mostra caminhos, mas qual devo seguir?


Sabe quando algo passa a aparecer repetidamente na sua vida, de modo que chega uma hora que não há mais como ignorar?

Fico pensando se trata-se de coincidência, destino ou força de pensamento. Mas acho que acaba tudo sendo a mesma coisa.

As vezes, sinto vontade de desistir e sucumbir à todas as pressões, todas as estatísticas e expectativas e seguir um caminho escolhido pelos outros. É o caminho mais fácil. Não dói, não incomoda. E eu faria os outros felizes. Mas não faria a mim.

Outras vezes, a vontade é de jogar tudo para o alto e seguir caminhos totalmente opostos ao que escolheram pra mim, os meus próprios caminhos. Seria o mais complicado e difícil, eu sei. Eu desapontaria muita gente. Mas se fosse isso que me fizesse feliz, realizada?

Existem caminhos que escolhemos por serem mais fáceis e não exigir muito esforço de nós, quase como se nos deixássemos ser levados pela correnteza. Mas esse caminho não nos leva somente para o conhecido, a calmaria.

Por outro lado, se escolhermos nadar contra a correnteza, pode ser que encontremos dificuldades e obstáculos, mas que, ao serem superados, podem nos levar a tocar o céu.