A árvore dos frutos proibidos


Havia, no meio do jardim, uma grande árvore. Seus frutos eram proibidos àqueles que não quisessem ser alvos da ira do poder divino. Para o homem que habitava o jardim, aquilo não era nenhum sacrifício. Ele caminhava em volta da árvore, admirado por sua beleza. Contudo, a companheira daquele homem, que também o jardim habitava, incomodava-se com a presença daquela árvore de frutos proibidos. E foi ela quem primeiro provou a maçã, sendo amaldiçoada e banida, junto ao homem, do jardim encantado. Mas aquela mulher não agiu por maldade ou curiosidade. Ela apenas não aceitava não ser o centro daquele jardim e muito menos ter de dividir a atenção de seu companheiro.

PAI


Para Carlos Neto.


Esse é, de longe, o texto mais difícil que escreverei. Não porque estou escrevendo de mau gosto ou porque não sei o que escrever. Aliás, muito pelo contrário. Há tanto o que dizer... são quase 23 anos de coisas a se dizer. Primeiramente, pensei em deixar para falar do assunto no dia dos pais, quando todos estarão falando disso. Mas penso que esse é somente mais um dia na vida de todos nós, em que o comércio lucra. E nos sentimos moralmente levados a dar presente e passar o dia com nosso progenitor. Contudo, o pai é alguém que mesmo algumas vezes não estando presente fisicamente, está em cada pedacinho do nosso ser. Resolvi, então, começar a falar disso de uma forma, que talvez possa parecer "seca", mas que é a que vejo ser a melhor possível.


A relação da filha com o pai, segundo alguns psicanalistas, se consagra, de fato, no Complexo de Édipo, quando a menina volta toda a sua atenção e amor para seu pai. E essa é uma fase impressindível na formação do ser humano. Sendo assim, mesmo tentando algumas vezes, não há como negar a importância disso. O pai entra em nossa vida como símbolo de proteção e lei. Disso para o posto de herói é um pulo. Mas ele também é gente. Erra. Decepciona. Magoa. E sofre com isso. Filhos, já pararam para imaginar como é para um pai decepcionar um filho? E quantas vezes não os decepcionamos? Quantas vezes não erramos com eles? Não os magoamos?


Esse texto é para aquele cara, aquele sujeito que começa a sua vida como ser humano, transforma-se em herói, volta a ser um simples mortal e, finalmente, torna-se PAI.


Na foto: Johnny Depp e Lily-Rose Depp

Eu escritora

Quando falo que sou escritora e comento sobre o meu livro, muitas pessoas me dizem de sua vontade de escrever e, muitas delas tem boas idéias, boa escrita, mas não sabe, exatamente, como começar. Geralmente, quando trato desse assunto, começo falando que devemos, primeiramente, para sermos bons escritores, sermos bons leitores. Não dá para escrever bem se não temos um relacionamento intimo com as palavras. Em segundo lugar, ninguém começa escrevendo um livro. Mesmo que você escreva divinamente bem, é importante usar de algumas ferramentas que lhe possibilitem "testar" sua escrita. Os blogs são uma ótima maneira de fazer isso. Além de lhe dar um feedback direto do seu leitor, o blog permite que você desenvolva sua escrita e crie seu próprio estilo.


Passadas essas "etapas", digamos que você gostou da experiência como escritor e quer escrever um conto ou uma estória. Não darei aqui uma fórmula, pois a própria pessoa é que vai descobrir como é o seu processo de escrita, mas falarei do meu próprio processo. Geralmente, eu inicio a construção dos meus livros fazendo um "esqueleto" da estória. Nele, eu coloco tudo o que penso que acontecerá ao longo da trama (começo, meio e fim), que pode continuar até o final ou mudar a medida em que escrevo. Depois, eu crio todo o cenário onde se passa a estória e os personagens que estarão nela. Eu penso em toda a parte física do personagem e em como é sua personalidade, seus valores e costumes. Isso é uma das partes mais importantes, pois é o que dá crédito a estória. Os atos dos personagens precisam ser sustentados por sua personalidade. Caso contrário, eles tornam-se rasos e não convencem.


Se há, na estória, personagens fantásticos ou mesmo que não fazem mais parte do mundo no qual vivemos, procuro sempre fazer uma pesquisa sobre eles para que a estória fique com caráter mais verossímil. Há ainda personagens famosos da história que podemos usar em nossa escrita, como Napoleão Bonaparte ou D. Pedro I. Esses podem ser usados de duas formas: ou fazemos uma paródia, usando características específicas desses personagens ou fazendo uso verossímil deles, pesquisando a história verdadeira de cada um.