"Essas alegrias violentas tem também violentos fins. Falecendo em seu triunfo, como fogo e pólvora, que num beijo se consomem"


Parece que voltei a ser uma adolescente boba. Minhas mãos tremem, minha boca seca, minhas pernas parecem não conseguir me segurar, minha barriga parece ser o lar de milhões de borboletas furiosas querendo sair, meu coração parece não encontrar um ritmo. E tudo isso simplesmente porque o vi. Mas tenho medo do que estou sentindo, porque já sofri demais. E doeu. Uma dor forte que quase não se pode aguentar. Uma dor que demorou demais para desaparecer. Uma dor que dilacerou minha alma e perfurou meu coração como uma lâmina de gelo e deixou uma marca que não irá desaparecer. Uma cicatriz que tenho medo que se abra novamente. E chegou uma hora em que foi preciso escolher entre a dor ou o nada. E eu escolhi o nada. Sabe o quanto é difícil viver privada de sentimentos com medo de se abrir pro mundo novamente? Mas a dor era grande demais para eu escolhê-la. Por isso fiquei com o nada e prometi a mim mesma que isso nunca mais aconteceria. Eu me fechei de tudo e de todos por tanto tempo... Mas você nunca consegue se fechar por completo. Sempre há um mínimo de espaço por onde o mundo lhe comunica coisas. Um espaço tão pequeno que a física o desconsideraria em seus cálculos. E foi por esse espaço, tão pequeno e desconsiderável, que ele conseguiu chegar até mim. E só podia ser alguém do tamanho dele pra isso. Mas eu não percebi a princípio. Aliás, acho que não queria perceber. Mas eu sabia, lá no fundo, o que tava acontecendo. Um filme passou pela minha cabeça e me veio um medo enorme de sofrer novamente. Passar por tudo aquilo de novo. Senti que não aguentaria. Eu sofria antecipadamente por não querer me entregar, não queria admitir o que estava sentindo. Tinha medo do que ia acontecer no futuro, por mais que eu não esperasse nada. Mas parecia que eu havia pulado de um precipício e o fim dele não chegava e eu me via no escuro. Eu estava sofrendo com medo de sofrer. Mas eu ia deixar de viver minha vida por medo? Eu havia deixado de sonhar, de me abrir para todas as possibilidades e nada acontece se você não dá uma chance. Eu estava sendo coadjuvante na minha própria história. Estava na hora de eu me tornar novamente a protagonista. Então resolvi me entregar e viver o que tivesse de viver, fosse o que fosse, porque a vida não é feita somente de finais felizes. E se houver uma hora em que eu puder escolher novamente entre a dor e o nada, escolherei a dor, porque viver do nada é o mesmo que não viver e porque antes dela sei que houve a mais plena das felicidades, pois foi com você.


A vida é como uma montanha russa de um parque de diversões. Quando estamos em um estado de plena felicidade, é hora de começar a descer. Mas sempre há uma nova subida.
Nota: A citação do título é da obra "Romeu e Julieta", de William Shakespeare.