Como uma história pode mudar vidas!

No último sábado (04/12), o escritor Raphael Draccon veio a Natal para um evento beneficente promovido pela UP! Brasil! em parceria com a revista SMK! e o próprio escritor em prol do GACC. O evento começou com brincadeiras e um quiz sobre as mais famosas histórias de fantasia e contou ainda com a presença de muitas crianças e fãs de Draccon.
Em sua palestra sobre como uma história pode mudar uma vida, Draccon falou sobre sua vida pessoal e profissional, emocionando a platéia (eu chorei muito). A trilha que o escritor percorreu até chegar onde está foi dura, mas ele merece absolutamente tudo o que conquistou.
E como uma história pode mudar uma vida? Bem, vou deixar aqui para vocês uma história para vocês pensarem que o Rapha contou no início da palestra. A moral ele falou só no fim, encerrando sua fala. E a história é a seguinte: Havia uma velhinha que chorava todos os dias. As milhares de pessoas que passavam por ela a conheciam como a velhinha chorona. Um belo dia, um sujeito perguntou por que aquela senhora sempre estava chorando e a velhinha respondeu: "Meu jovem, tenho duas filhas. Uma é casada com um vendedor de sapatos. A outra é casada com um vendedor de guarda-chuvas. Quando faz sol, sei que minha filha que é casada com o vendedor de guarda-chuvas não vai comer. No dia que chove, é minha outra filha que não come. Por isso choro todos os dias". Então o sujeito respondeu: "Mas minha senhora, deveria se alegrar nos dias que chove, pois uma de suas filhas vai comer. E devia se alegrar nos dias que faz sol, pois quem come é sua outra filha". Desde desse dia, a velhinha nunca mais chorou.
Como disse Draccon, milhões de pessoas haviam passado por aquela velhinha e só precisou que alguém parasse para falar com ela para que ela nunca mais chorasse. O que pudermos fazer para mudar uma vida, mesmo que pensarmos ser pouco, é válido.

João e o Oco da carrapateira

Essa é uma história que minha avó me contou um dia... e eu nunca esqueci.



Era uma vez um homem muito egoísta chamado João. Toda tarde depois do trabalho, antes de voltar para casa, João comprava uma espiga de milho e subia numa carrapateira para não ter que dividir com ninguém. Estava João comendo a espiga quando um caroço de milho caiu no oco da carrapateira.
- Mas que droga! menos um caroço de milho! - e é ai que a história começa.
E João continuou comendo a espiga até que mais um caroço caiu no oco da carrapateira.
- Eu não acredito! Mais um caroço desperdiçado!
E enquanto João continuava a comer, mais um caroço caiu no oco da carrapateira.
-Mas não é possível! Três caroços desperdiçados! Assim não dá! Vou pedir a Zé Machadinho que me empreste seu machado para eu tirar os três caroços de milho do oco da carrapateira.
E João foi até Zé Machadinho.
- Zé Machadinho, me espreste seu machado para eu tirar três caroços de milho do oco da carrapateira!
- Não! - repondeu Zé Machadinho.
- Mas eu só quero emprestado...
-Não!
- Pois eu vou dizer ao Rei que mande o senhor embora do reino.
E foi até o Rei.
- Rei, mande Zé Machadinho pra fora do reino!
- Mas por que?
- Por que ele não quer emprestar o machado para eu tirar 3 caroços de milho do oco da carrapateira.
- Eu não!
- Pois eu vou mandar a Rainha largar o Rei.
- Rainha, largue o Rei!
- Por que?
- Porque ele não quer mandar Zé Machadinho pra fora e Zé Machadinho não quer emprestar o machado para eu tirar 3 caroços de milhos do oco da carrapateira.
-Eu não!
- Pois eu vou dizer ao rato que roa a roupa da rainha!
-Rato, roa a roupa da rainha!
- Por que?
- Porque ela não quer lagar o Rei, o Rei não quer mandar Zé Machadinho pra fora e Zé Machadinho não quer me esprestar o machado pra eu tirar três caroços de milho do oco da carrapateira!
- Eu não!
- Pois eu vou mandar o gato comer o rato!
- Gato, coma o rato!
- Por que?
- Por que ele não quer roer a roupa da rainha, a rainha não quer largar o rei, o rei não quer mandar Zér Machadinho pra fora e Zé Machadinho não quer emprestar o machado pra eu tirar 3 caroços de milho do oco da carrapateira.
- Eu não!
- Pois eu vou mandar o cachorro morder o gato.
- Cachorro, morda o gato!
- Por que?
- Por que ele não quer comer o rato, o rato não quer roer a roupa da rainha, a rainha não quer largar o rei, o rei não quer mandar Zé Machadinho pra fora e Zé Machadinho não quer emprestar o machado pra eu tirar 3 caroços de milho do oco da carrapateira.
- Eu não!
- Pois eu vou mandar a cobra picar o cachorro!
- Cobra, pique o cachorro!
-Por que?
- Porque ele não quer morder o gato, o garo não quer comer o rato, o rato não quer roer a roupa da rainha, a rainha não quer largar o rei, o rei não quer mandar Zé Machadinho pra fora, Zé Machadinho não quer emprestar o machado pra eu tirar 3 caroços de milho do oco da carrapateira.
-Eu não!
- Pois eu vou mandar o pau matar a cobra!
-Pau, mate a cobra!
-Por que?
- Por que ela não quer picar o cachorro, o cachorro não quer morder o gato, o gato não quer comer o rato, o rato não quer roer a roupa da rainha, a rainha não quer largar o rei, o rei não quer mandar Zé Machadinho pra fora e Zé Machadinho não quer emprestar o machado pra eu tirar 3 caroços de milho do oco da carrapateira.
- Eu não!
-Pois eu vou mandar o fogo queimar o pau.
- Fogo, queime o pau!
- Por que?
- Porque ele não quer matar a cobra, a cobra não quer picar o cachorro, o cachorro não quer morder o gato, o gato não quer comer o rato, o rato não quer roer a roupa da rainha, a rainha não quer largar o rei, o rei não quer mandar Zé Machadinho pra fora e Zé Machadinho não quer emprestar o machado para eu tirar 3 caroços de milho do oco da carrapateira.
- Eu não!
- Pois eu vou mandar a água apagar o fogo!
-Água, apague o fogo!
- Por que?
- Porque ele não quer queimar o pau, o pau não quer matar a cobra, a cobra não quer picar o cachorro, o cachorro não quer morder o gato, o gato não quer comer o rato, o rato não quer roer a roupa da rainha, a rainha não quer largar o rei, o rei não quer mandar Zé Machadinho pra fora e Zé Machadinho não quer emprestar o machado pra eu tirar 3 caroços de milho do oco da carrapateira.
- Eu não!
- Pois eu vou mandar o boi beber a água!
- Boi, beba a água!
- Por que?
- Porque ela não quer apagar o fogo, o fogo não quer queimar o pau, o pau não quer matar a cobra, a cobra não quer picar o cachorro, o cachorro não que morder o gato, o gato não quer comer o rato, o rato não quer roer a roupa da rainha, a rainha não quer largar o rei, o rei não quer mandar Zé Machadinho pra fora e Zé Machadinho não quer emprestar o machado pra eu tirar 3 caroços de milho do oco da carrapateira.
- Eu não!
- Pois eu vou mandar o homem comer as tripas do boi!
- Não, não! Eu bebo a água!
- Não, eu apago o fogo!
- Não, eu queimo o pau!
- Não, eu mato a cobra!
-Não, eu pico o cachorro!
-Não, que mordo o gato!
- Não, eu como o rato!
-Não, eu roo a roupa da rainha!
-Não, eu largo o rei!
- Não, eu mando Zé Machadinho pra fora!
- Não, eu empresto o machado pra você tirar os 3 caroços de milho do oco da carrapateira!
FIM
Eu adorava quando minha avó me contava essa história! Eu vivia pedindo pra ela contar... imagina o tédio q devia ser pra ela XD Mas enfim... eu sempre achei q o final é meio esquisito. Não tem uma moral (pelo menos não uma moral clara). Todos esperam q um homem egoísta se dê mal, para mostrar q o egoísmo não é bom e blá, blá, blá! Mas ai nessa história ele ainda é recompensado! Ele não aprende nada e continua egoísta! nunca entendi isso...

SEMPRE


Nossa! quanto tempo sem escrever... Mas há uma explicação: Trabalho de conclusão de curso. Parei minha vida. Não leio mais por prazer, somente para o trabalho. Aliás tem pelo menos 4 livros me esperando. Não escrevo mais no blog, nem me dedico aos meus livros. Nem tive tempo sequer para postar algo sobre o lançamento do meu primeiro livro. Pensei hoje em escrever sobre o tema mais atual do momento: as eleições. Mas decidi falar sobre algo que toca mais meu coração. Infelizmente, gostaria mesmo é de falar sobre os dois assuntos, mas me falta tempo.


TEMPO.


Lembro-me do coelho branco da Alice mostrando o relógio, o símbolo do tempo, sempre apressado. Sempre. E parece que estão me mostrando aquele relógio a toda hora. Sempre. "Estou atrasado, estou atrasado". Lembro também da Terra do Nunca, onde o tempo não passa, as crianças jamais envelhecem e são felizes. Sempre. Que vontade me dá de voar para lá, junto com Peter Pan e sininho. Ver os piratas, as sereias e os índios. E o crocodilo Tic Tac ainda estará perseguindo o Eterno James Gancho. Sempre. O Capitão que não envelhece, assim como seu inimigo Pan, pois vivem no lugar onde o tempo não passa. Mas diferentemente de Peter, Gancho é velho e carrega nas costas o peso do tempo. E é triste, pois não há em sua vida uma fada que lhe faça sorrir. Tic Tac. O tempo está passando enquanto escrevo. Sempre. Cada segundo que passa não volta, só vai. Está indo. Sempre. Não dá para fazer as horas voltarem. Não temos o vira-tempo da Hermione, nem podemos fazer a terra girar ao contrário como o Super Homem. O tempo passa. Sempre.

AQUELA

Para Natália Egito: Simplesmente Aquela.

Sabe aquela pessoa que está em muitas de suas memórias e é sempre alguém presente nos momentos mais importantes de sua vida, sejam eles tristes ou felizes? Aquela pessoa para quem você conta tudo, que sabe de todos os seus segredos? Ela é aquela que manda você parar de gostar do menino que só te faz mal. Aquela pessoa que sabe exatamente o que você precisa, que te conforta mesmo sem dizer uma palavra, porque em seu silêncio você se sente acolhida. É aquela que está sempre pronta para te ouvir e vocês ficam horas jogando conversa fora, porque para vocês, o mais importante não é o assunto, mas a companhia uma da outra. Ela é aquela que te dá mais conselhos que sua mãe e muitos deles você não ouve. E se arreende de não ter ouvido, porque ela parece saber melhor que você mesma o que é melhor pra ti. É aquela que presenciou seus micos e que até tenta se segurar para não rir, mas não consegue. E você cai na gargalhada, rindo de si mesma, somente porque ela está rindo. É aquela que está pronta para te segurar quando você tropeça, mesmo sabendo que vai cair junto com você. Aquela que, quando você imagina sua vida sem ela, parece que falta um enorme pedaço, isso se for possível imaginar algo assim. Ela é aquela pessoa que você nunca irá conseguir arrancar do coração, porque ela já é parte dele.

Quatro estações


(Para Victor)
Se meu coração parar de funcionar por alguns segundos e em seguida bater mais rápido que as asas de um beija-flor, se eu apenas esquecer que preciso respirar, se o frio da Antártida invadir meu estômago e eu sentir todos os pelos do meu corpo se arrepiarem, não se assuste. É como me sinto quando estou com você. Se eu confundir o amanhecer e o anoitecer é porque o brilho do teu olhar ofuscou meus olhos, como um raio de sol no escuro. Se eu desejar ser presa na torre mais alta e ficar a mercê de um dragão que cospe fogo, é somente porque enxergo em você o príncipe encantado que irá me resgatar.

E nesse momento, se eu tiver que escolher apenas quatro coisas que mais desejo, escolho o Verão, o Outono e o Inverno, mas abro mão da Primavera, minha estação preferida, para escolher você.

A LOUCURA NO LEITO DE PROCUSTO (Por uma sociedade sem manicômios)


Hoje, 18 de Maio, é o dia da Luta Antimanicomial no Brasil. Então, nada mais apropriado que escrever um pouco sobre a Audiência Pública da qual participei quinta feira passada (13/05) sobre a "Luta Antimanicomial no Rio Grande do Norte", que ocorreu na Assembléia Legislativa às 9h30min da manhã e foi transmitida, ao vivo, pela TV Assembléia.

A mesa foi coordenada pelo Deputado Fernando Mineiro e teve como participantes o Diretor do Curso de Psicologia da Universidade Potiguar Alex Reimecke de Alverga, a Assistente Social Maria do Carmo Martins, o usuário da Saúde Mental e Presidente da Associação Plural Maximiliano Souza Dantas e o Professor Luís Antônio dos Santos, da Universidade Federal Fluminense.

Começou a falar o Professor Alex, que trouxe, primeiramente, uma breve explanação histórica sobre a loucura, a Luta Antimanicomial e a Reforma Psiquiátrica. A loucura, como construção histórica e social, antecede o chamado "louco". Vista nas bruxas, nos artistas e em todos aqueles que transgrediam a Ordem, a loucura é, ainda, um modo de isolamento, exclusão e segregação. Em 1987, surge a Luta Antimanicomial, que tem como lema: "Por uma sociedade sem manicômios", propõe a extinção gradativa, não só dos Hospitais Psiquiátricos, mas também dos nossos próprios manicômios, aqueles que nos aprisionam em nossos preconceitos. Fundamentada nas idéias de desinstitucionalização Psiquiátrica de Franco Basaglia, esse movimento prevê, ainda, uma transformação dos Serviços Psiquiátricos. Decorrente desse movimento tem-se a Reforma Psiquiátrica, "como diretriz de reformulação do modelo de Atenção à Saúde Mental, transferindo o foco de tratamento, que se concentrava na instituição hospitalar, para uma Rede de Atenção Psicossocial estruturada em unidades de serviços comunitários e abertos" (ex: CAPs).

A fala da Assistente Social Maria do Carmo Martins complementou a fala de seu antecessor. Ela nos trouxe, logo de início, uma questão para ser pensada. O próprio nome "Movimento da Luta Antimanicomial" deve ser um impulsionador para nos colocar em movimento. Em sua "convivência com a loucura", a Assistente Social aprendeu a escutar, a estar aberta, a não querer adaptar as pessoas ao seu próprio modo de viver. Precisamos repensar o nosso lugar no mundo e nos questionar sempre que pudermos. Não só os profissionais da saúde devem se movimentar em prol da Luta Antimanicomial, mas cada cidadão. É necessário sair de nosso lugar para enxergar o outro. É por isso que não adianta acabar apenas com o espaço físico dos manicômios. O Movimento Antimanicomial deve ocorrer de dentro para fora. Finalizando sua fala, Maria do Carmo discorreu sobre a questão da diferença, dizendo que é importante aprender a trabalhar com o diferente, pois "não se constrói com o consenso, mas sim com o dissenso".

A fala que julgo ser, não só a mais relevante, bem como a mais interessante, foi a de Maximiliano Souza Dantas. Ele falou sobre sua experiência como usuário de Saúde Mental e sobre questões importantes em sua vida. Sobre sua internação em um Hospital Psiquiátrico, Max disse "Eu entrei no manicômio ouvindo vozes e sai ouvindo vozes e dopado". Sobre emprego: "A sociedade não providencia nada para o usuário além do tratamento (...) o usuário precisa estar envolvido com algo". Sobre violência: "As vezes é a única forma que se tem para se expressar quando não te é dada outra forma". Sobre ser humano: "O usuário também é humano, é igual a todo mundo, mas o louco não pode ser só ele, tem que ser mais para ser aceito". Sobre o tratamento: "O choque, os remédios matam nossa doença, mas também matam a gente".

Apenas algumas frases retiradas do discurso de um "louco" nos fazem refletir sobre o que fizemos a tantas pessoas que sofrem com transtorno mental, em como é desumano o modo de "tratar" o "louco" dentro dos Hospitais Psiquiátricos. Manter uma pessoa dopada para que ela não nos incomode com seus delírios e alucinações é uma prática inaceitável. Essas pessoas tem o mesmo direito de ir e vir como qualquer um que se diz normal. E o que dizer dos que dão "assistência" ao "louco", arranjando uma mísera aposentadoria e lhe entregando remédios? O "louco" não pode viver como qualquer pessoa "normal"? Trabalhar, casar, ter filhos, viver... Há uma última frase de Max que gostaria de citar, já que não acho necessário mais comentários sobre sua fala, pois a mesma não necessita de explicações: "Será que a gente tem liberdade de ser livre?"

Por fim, tivemos a participação do Professor Luís Antônio, que falou muito bem acerca da Tolerância. Ele acredita haver poucas diferenças entre a tolerância e a intolerância, sendo a primeira apenas uma prática de respeito ao outro, porém sem ao menos se conhecer esse outro. As duas seriam, portanto formas de exclusão. Nós estaríamos nos relacionando com rótulos e não com pessoas (o louco, o negro, a prostituta, etc) e esses rótulos isolariam e excluiriam. O Professor falou ainda sobre a Reforma Psiquiátrica, fazendo um paralelo com a Reforma Italiana. Luís Antônio entende que esse processo deve ocorrer ao lado de outros contra exclusão, pois a exclusão do negro, do pobre, seria a mesma exclusão do louco.

Lembro-me, quando falamos em manicômios, de um mito da mitologia grega que se chama: O Leito de Procusto. Conta esse mito que Procusto, em sua casa, tinha um quarto no qual a cama era de ferro. Ele tinha o costume de convidar os viajantes para jantar em sua casa e, quando terminava a refeição, oferecia-lhes o leio de ferro para descansar. Se o corpo do viajante fosse maior do que o comprimento da cama, a parte que ficava de fora era cortada. Se fosse menor, Procusto o esticava até que se acomodasse ao tamanho da cama. Ou seja, em vez de ajustar a cama ao tamanho das pessoas, o anfitrião fazia com que estas se ajustassem às medidas da cama.

Parece-me que temos sempre o costume de fazer como Procusto com tudo o que é diferente. O que faz uma instituição como um Hospital Psiquiátrico aos internos? Seriam os manicômios leitos de Procusto? Temos certa dificuldade em lidar com as diferenças. E a loucura causa estranheza. Nosso primeiro passo ao nos deparar com algo estranho, desigual, é querer igualar ao tamanho da cama. Porque prender a loucura (o estranho) dentro de altos muros? Será que é porque não estamos prontos para lidar com nossa própria loucura, a ponto de precisar afastá-la de nós?

O mais interessante sobre o mito de Procusto eu ainda não contei. Propositalmente, é claro. Teseu (aquele mesmo do minotauro), grande Herói ateniense, foi quem acabou com o padrão criado por Procusto, quando colocou o sádico anfitrião em seu próprio leito, só que de lado, cortando-lhe as pernas e a cabeça.


"Riem de mim por eu ser diferente, e eu rio de vocês por serem todos iguais". (Bob Marley)

MÃE


- Texto feito para minha mãe, mas dedicado também a todas as mães. Em especial à minha avó, minha tia, minha madrinha, Pepé e minha Teté, que está lá em cima olhando por seus filhos.



Apenas três letras dizem tanto. Dizem do amor por seus filhos, do carinho, do cuidado. Dizem dos limites que são tão difíceis de dar, mas necessários. Dizem de atos, de estar presentes nos momentos tristes e felizes. Dizem de dar a vida a um ser e fazer parte dessa vida para além da eternidade. Mas essa palavra diz muito mais do que isso. Diz coisas que nosso vocabulário não pode expressar.




Obrigada por tudo, MÃE. Não sabes o quanto sou grata.




FELIZ DIA DAS MÃES!

"Essas alegrias violentas tem também violentos fins. Falecendo em seu triunfo, como fogo e pólvora, que num beijo se consomem"


Parece que voltei a ser uma adolescente boba. Minhas mãos tremem, minha boca seca, minhas pernas parecem não conseguir me segurar, minha barriga parece ser o lar de milhões de borboletas furiosas querendo sair, meu coração parece não encontrar um ritmo. E tudo isso simplesmente porque o vi. Mas tenho medo do que estou sentindo, porque já sofri demais. E doeu. Uma dor forte que quase não se pode aguentar. Uma dor que demorou demais para desaparecer. Uma dor que dilacerou minha alma e perfurou meu coração como uma lâmina de gelo e deixou uma marca que não irá desaparecer. Uma cicatriz que tenho medo que se abra novamente. E chegou uma hora em que foi preciso escolher entre a dor ou o nada. E eu escolhi o nada. Sabe o quanto é difícil viver privada de sentimentos com medo de se abrir pro mundo novamente? Mas a dor era grande demais para eu escolhê-la. Por isso fiquei com o nada e prometi a mim mesma que isso nunca mais aconteceria. Eu me fechei de tudo e de todos por tanto tempo... Mas você nunca consegue se fechar por completo. Sempre há um mínimo de espaço por onde o mundo lhe comunica coisas. Um espaço tão pequeno que a física o desconsideraria em seus cálculos. E foi por esse espaço, tão pequeno e desconsiderável, que ele conseguiu chegar até mim. E só podia ser alguém do tamanho dele pra isso. Mas eu não percebi a princípio. Aliás, acho que não queria perceber. Mas eu sabia, lá no fundo, o que tava acontecendo. Um filme passou pela minha cabeça e me veio um medo enorme de sofrer novamente. Passar por tudo aquilo de novo. Senti que não aguentaria. Eu sofria antecipadamente por não querer me entregar, não queria admitir o que estava sentindo. Tinha medo do que ia acontecer no futuro, por mais que eu não esperasse nada. Mas parecia que eu havia pulado de um precipício e o fim dele não chegava e eu me via no escuro. Eu estava sofrendo com medo de sofrer. Mas eu ia deixar de viver minha vida por medo? Eu havia deixado de sonhar, de me abrir para todas as possibilidades e nada acontece se você não dá uma chance. Eu estava sendo coadjuvante na minha própria história. Estava na hora de eu me tornar novamente a protagonista. Então resolvi me entregar e viver o que tivesse de viver, fosse o que fosse, porque a vida não é feita somente de finais felizes. E se houver uma hora em que eu puder escolher novamente entre a dor e o nada, escolherei a dor, porque viver do nada é o mesmo que não viver e porque antes dela sei que houve a mais plena das felicidades, pois foi com você.


A vida é como uma montanha russa de um parque de diversões. Quando estamos em um estado de plena felicidade, é hora de começar a descer. Mas sempre há uma nova subida.
Nota: A citação do título é da obra "Romeu e Julieta", de William Shakespeare.