Palavras


As palavras são, talvez, o maior legado da humanidade. Não que os outros seres não as possuam em sua linguagem. Pelo contrário. Acredito que as plantas e animais e os demais seres que vivem na natureza têm sua própria linguagem cheia de palavras, mesmo que diferentes das nossas e mesmo que não entendamos o que querem dizer. Contudo, penso que para os seres humanos, a palavra é de enorme importância. É tudo de mais precioso que podemos deixar para as gerações futuras. Mais valioso que dinheiro, jóias e ouro.

Eu sempre tive um grande contato com as palavras. Desde pequena, convivo com muitos livros. Minha mãe lê muito e escreve também. Talvez seja até por isso que eu sempre gostei tanto das palavras. Minhas matérias preferidas sempre foram aquelas que mais se precisava ler, como: Português, literatura, história e geografia. Desde que me lembro, ouço minha mãe falar da minha bisavó, outra pessoa da minha família que vivia envolta por palavras. Talvez seja devido a essa influência que eu tenha me aproximado e gostado tanto delas.

E as palavras vêm em muitas formas. Elas podem ser escritas ou lidas e podem ser faladas ou ouvidas. As palavras podem até ser cantadas. E também recitadas. Desde pequenos, aprendemos a falar palavras. No começo, são somente sons aleatórios que vão sendo, aos poucos, lapidados, até tornarem-se palavras.

Para mim, palavras não são somente palavras. Elas vêm carregadas de sentimento. Eu, particularmente, não me dava muito bem com as palavras faladas. Elas se misturavam demais com o que eu sentia. Mas isso foi trabalhado quando eu fiz teatro e já melhorei bastante minha performance falada. Contudo, ainda tenho uns pequenos problemas com essa forma de linguagem. Por exemplo, eu não consigo falar nada quando estou com muita raiva porque eu simplesmente começo a chorar. Parece que esse sentimento tem ligação direta com minhas glândulas lacrimais.

Já com os outros formatos de palavras eu me relaciono bastante bem. O melhor jeito de me expressar julgo eu ser a escrita. Com ela, consigo dizer o que penso e como me sinto. E ainda criar diferentes personagens que falam, pensam e sentem. Consigo criar mundos inteiros. Quando leio as palavras enxergo pessoas e paisagens, guiada por elas. Quando ouço, consigo experimentar o sentimento transmitido por cada palavra.


Talvez seja por isso que escolhi a psicologia para ser minha profissão. Uma profissão em que as palavras são de extrema importância. Assim como na vida.

Cores do vento

"Se pensa que eu sou selvagem, você viajou bastante, talvez tenha razão. Mas não consigo ver mais selvagem que você. Precisa escutar com o coração... Coração. Se pensa que esta terra lhe pertence você tem muito ainda o que aprender, pois cada pedra, planta e criatura está viva e tem alma, é um ser. Se vê que só gente é seu semelhante e que os outros não têm o seu valor, mas se seguir pegadas de um estranho mil surpresas vai achar ao seu redor. Já viu um lobo uivando para a lua azul? Será que já viu um lince sorrir? É capaz de ouvir as vozes da montanha e com as cores do vento colorir? E com as cores do vento colorir...

Correndo pelas trilhas da floresta, provando das frutinhas o sabor, rolando em meio a tanta riqueza, nunca vai calcular o seu valor. A lua, o sol e o rio são meus parentes. A garça e a lontra são iguais a mim. Nós somos tão ligados uns aos outros, nesse arco, nesse círculo sem fim. A árvore aonde irá, se você a cortar, nunca saberá! Não vai mais o lobo uivar para a lua azul, já não importa mais a nossa cor. Vamos cantar com as belas vozes da montanha e com as cores do vento colorir. Você só vai conseguir dessa terra usufruir se com as cores do vento colorir".
(Música do filme da Disney "Pocahontas").

Essa é uma música muito bonita, mas além disso, ela traz mensagens muito importantes para se refletir. Por exemplo: refletirmos o que estamos fazendo com o mundo? De que jeito estamos tratando nossa casa, o planeta Terra. Outra coisa importante que a música nos traz é a questão da igualdade. Sim, isso mesmo! Ao cantar essa música, Pocahontas nos conta o quão iguais somos, apesar de algumas pessoas se julgarem seres superiores, desenvolvidos. E, como disse a sábia Aqua Marynne uma vez, "A chuva, o rio e o oceano, mesmo em diferentes formas, são feitos da mesma coisa: água". E mesmo em tamanhos diferentes, cores diferentes, raças e crenças diferentes, somos iguais em essência. Iguais as plantas e aos animais, inclusive. Não há superiores nem inferiores. Não há mais, nem menos. Não há melhores, nem piores. Há sim, um só. Um IGUAL. Contudo, somente são capazes de entender isso aqueles que conseguem com as cores do vento colorir.

A FONTE DA JUVENTUDE


Nos dias atuais nos deparamos com pessoas que não querem admitir que o tempo passa. Mas ele passa. E muitas vezes tão rápido que, quando vamos notar, metade de nossas vidas já se foi (ou mesmo nossa vida inteira). O que mais dá dinheiro hoje em dia no ramo da medicina são as cirurgias plásticas. As clinicas de estética vivem abarrotadas e cada vez se compra mais cremes anti-rugas. A idade que as pessoas aparentam hoje não é, nem de perto, a idade que elas têm. E, quem tem dinheiro e quer, fica jovem por bastante tempo.


Desde sempre se busca a eternidade. Uma fonte da juventude para nos proporcionar vida e beleza eternas. E, com os aparatos que a ciência vem criando, isso está se tornando cada vez mais possível (pelo menos, é possível ficar com uma aparência mais jovem e viver mais do que há algumas décadas). Porém, tudo isso trata-se de ilusão. Pois nunca conseguiremos dar um fim na morte ou segurar a pele no lugar para sempre. Afinal, não há vida sem a morte e nem morte sem a vida.


Buscamos a fonte da juventude a todo tempo. Estamos sempre tentando, de alguma maneira, rejuvenescer. Só que acabamos nos esquecendo do mais importante na vida, o que viemos fazer na terra. Nós nos esquecemos de VIVER.

“E o importante não é que eles viveram felizes para sempre, mas que eles viveram” (Final de “Para sempre Cinderella”).